quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

DOIS EVENTOS:

28 de Janeiro: Teatrália apresenta "Ensaios Fotográficos" & 04 de Fevereiro: Madalena Moog no show que marca a volta da La Gambiaja aos palcos de João Pessoa



28 de Janeiro (Sexta-feira): Teatrália apresenta "Ensaios Fotográficos", com poesias do poeta pantaneiro Manoel de Barros - Praça da Paz (Bancários, em frente ao Shopping Sul), 20:00 - Evento gratuito.




04 de Fevereiro (Sexta-feira): Madalena Moog, no show que marca a volta da La Gambiaja aos palcos de João Pessoa - Papagaio Pirata (final da praia de Cabo Branco), 23:00, r$ 5,00... e garotas não pagam até 23:00.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

PARA QUANDO GÉSSICA MORRER...




O poeta vai chegar ao seu túmulo
– se algum houver –
& vai tirar um poema do bolso
porque a memória é fogo
& vai desamassá-lo com mãos trêmulas & suadas
& lerá assim, olhar dividido entre o papel & o chão:

Ela procurou uma palavra para “amor”
que não estava em dicionários
& uma bebida quente
que incendiasse os armários...

& fez fotos de alguns sorrisos que, sem graça
viram os dias chegarem, bêbados, na Praça
& eu vi Géssica sozinha, na solidão
vendo o povo que festejava, na televisão
& quando escrevia coisas – ela me disse
era a dor que expurgava, que andava triste
& eu gritei seu nome, da janela do meu prédio
chamando-a para beber, seu santo & fatal remédio
remédio que cura & mata, como se vê...

[o Poeta entende a mão, apontando a cova]

& ele matou, matou, garota; matou você

& o Poeta não ouvirá nenhum aplauso
porque será um dia assim, como hoje
de chuva & de frio & de gravidade...
& todas as árvores do cemitério
– se algum houver –
parecerão mais verdes & gentis
aninhando Curiós & Anuns Brancas
& alguém, escondido, bem longe
vai lembrar dos “good times for a change”
sim, cantando trechos confusos de
“Please, please, please let me get what I want”
& ninguém verá a sua homenagem solitária:
“Eu não tenho um sonho há muito tempo
veja a vida que tenho tido...”

& Igor, & Sara, & Rodolfo, & Monaliza
& mais um monte de gente triste estará aí
& o Poeta só lembrará de “Bluebeard”
com Elizabeth Fraser, da Cocteau Twins
... uma referência tão comum, tão sofrida:
quem é a mulher certa para toda a vida?
viver é uma toxina que nos trai, assombrosamente
quem é o homem certo, para todo o sempre?

É, o amor é um sonho sem nome... é

& depois todos os bêbados & os loucos dirão:
Este é um dia incomum, & é preciso beber
por nós, miseráveis vivos, & por ela, viva em nós!
& sairão em um cortejo alegre ruma à Praça da Paz
à pista de skate & o anfiteatro do Lúcio Lins
& acenderão seus Hollywood vermelhos
suas velas sem parafina, de papel & de nicotina
& abrirão uma bendita garrafa de Balck Stone
& alguém reclamará, & quererá outra, de Carreteiro
& todos erguerão seus copos de plástico, brindando:
à Géssica, para que a terra lhe seja leve!...

& a vida que segue, segue... louca como ela
& dias & noites se sucederão, entorpecidos
até a hora em que nós, um a um, dormiremos
& enfim seremos, de uma vez por todas, esquecidos
Aleluia!



DOIS EVENTOS:

After Estação Nordeste e Festival Alternativo Rock 4X4



A.Nexo e Brasis, no After após Manu Chao, 29 de Janeiro | Papagaio Pirata:


VI edição do Festival Alternativo Rock 4X4 - 05 de Fevereiro de 2001, 15h:



domingo, 23 de janeiro de 2011

As canções em volta do fogo: para Maraike Wegner e outros, que moram longe, com carinho...



Quando eu usava chapéus! Uma noite no inverno de 2007, em São Francisco de Paula - RS



“O MEU MUNDO É MELHOR porque você existe.” Eu não sei a quantas pessoas já disse isso. Sei que, dizendo, ou estava bêbado ou era sincero... ou ambos. Em todos os casos, e mesmo bêbado, não diria isso a qualquer um, a qualquer uma.
Sábado passado (22/01/11) foi um dos dias que, mais uma vez, pude ver como é bom ter amigos, bons amigos. Costumo dizer que falsos amigos são piores que bandidos, FDPtas e afins... Porque, para amigos falsos (e que você não sabe se são), não nos armamos, e, assim, não esperamos o golpe que eles podem desferir contra nós. Para os bandidos, não: podem até nos ferir, mas já estamos meio que esperando por isso. Enfim...
Sábado foi um dia chuvoso. Em meus planos, que os cumpri, iria para o quiosque do Amaury (point do PB Rock Social Clube). Lá encontraria com Renato Abreu, Jesuíno André, Fábio Jorge, Gustavo Rabay, Marcelo Nocera e outros amigos que estavam por lá, como o portoalegrense Hagadir Cabral, que nos levou seu kit-chimarrão. De lá iríamos até Tambaú, Busto de Tamandaré, ver o show de Maria Bethânia, dentro da programação do Festival Estação Nordeste... e, daí, veríamos o que seria. E tudo foi conforme o planejado.
Ainda no quiosque do Amauri, Jesuíno me presenteou com dois livros: Corações blues e serpentinas (Arte Paubrasil, 2007), de Lima Trindade – que já usei em um dos textos – o “A liberdade poética” – no meu blog (http://arteamorliberdade.blogspot.com/2011/01/21.html), e O amor é uma coisa feia (7 Letras, 2007), de Gustavo Rios, na Coleção Rocinante. Gustavo Rabay, depois, me presentearia com um CD do nosso amigo comum, Nando Azymuth, “No escuro” (nem o Nando tem mais esse álbum, para venda), e outro, seu – um EP com cinco marchinhas carnavalescas compostas e arranjadas por ele e pelo pai do Jesuíno André, Jesuíno Lacerda, autor do livro Traição sobre as nuvens (Autor Associado, 2009). Lá pelas tantas, e todos já animados pelo álcool, Jesuíno tomou a palavra para ler o texto/poema “Para dizer que não falei de loucos (Patati-Patatá-Patativa)”, que Rabay havia feito como elogio e crítica aos poemas que costumo levar e ler/interpretar, com voz impostada e tudo – como convém aos poetas – para eles, enquanto vemos a tarde passar, animada com cerveja, cachaça, uísque (primeira vez que bebi um Grand MacNish – cortesia do Fábio Jorge), música, conversas, poemas e violões. O texto/prosa/poema do Gustavo, é como segue:

Por vezes eu fico ilhado por mais diversos poetas,
para não dizer que eu fico “irado”
O cara chega cheio de “alegria, alegria”
com versos quilométricos,
sem métrica e aduz fatos históricos
que se entrelaçam e que se inserem
em múltiplas dimensões e universos paralelos
ou transversos que espelham e espalham
a vaidade do poeta que busca demonstrar erudição.
Numa verdadeira inversão filosófica
as dicções entram umas dentro das outras
numa verdadeira simbiose.
Eu poderia também tergiversar,
mas vou fundo e afirmo que o poeta
transforma tudo em pó linguístico,
e ri,
rima e rema num oceano de idéias ora lúcidas, ora loucas.

Ele levita sobre a pequena João Pessoa
e desenterra na sua pequenez
os esqueletos dos gigantes bíblicos,
como quem David lutou e matou,
fraturando o crânio de Golias, com uma funda.
Mas apesar das longitudes e latitudes dos contextos versos
não podemos negar o porre cultural que o vate proclama!
Vai-te!
E eu na minha sólida ignorância,
na minha inconsciência
só ouço aquelas palavras para veados ou gênios culturais.

E fazendo como a raposa,
fui passear lá no cais onde o navio trafega,
e prendi o poeta Patativa que os anos não trazem mais.
Para não dizer que não falei dos loucos.

[Aplausos! Muitos aplausos!]

E depois dos aplausos, conversamos sobre o duvidoso talento poético do Rabay, enquanto eu lhe dizia do meu espanto de, ele que tanto pede rimas, não ter feito uma ao falar de “funda”, que rima com... você sabe. “E a bunda, Gustavo?”, perguntei, me apossando da lauda com o poema impresso. E rimos; e bebemos; e comemos; e fumamos cachimbo... e nada nessa ordem, necessariamente.
Por volta das 21:00, nos despedimos, deixando o Gustavo lá, de papo com a peruana Geni. Fui com o Renato até o Pão de Açúcar, sacar dinheiro e deixar o carro em casa. Daí fomos a pé para a praia, que é bem perto. Praia lotadérrima! O show de Bethânia já havia começado, e foi exatamente o que prometia: divino. É uma diva essa mulher tão chata. Ponto. E eu pensava se o Marcelo Veloso (professor que me orientou na monografia, quando eu ainda fazia graduação na UFPB, e que era louco-pirado por Bethânia). Nem mesmo a insistente chuva tirava o ânimo do povo, e dos amigos que gritavam trechos das letras conhecidíssimas. Uau!
Fim do show, e eu era um passarinho molhado, e feliz!
Por insistência dos amigos que encontramos pela praia, e com quem estávamos, fomos ao Carboni Bárbaro, andando pela orla – eu e mais seis amigos e amigas. Uma folia boa. Por volta das 04:00, pegamos um táxi até a casa de Renato e, de lá, ele nos fez a gentileza enorme de nos trazer até aqui... Acordei às 14:00 de hoje, domingão chuvoso, e pensei: preciso contar isso tudo aos meus bons amigos ausentes, para que eles também saibam que o meu mundo é melhor porque eles existem.

(P.)


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

CICLO DAS QUARTAS - 26 janeiro 2011


João Cassiano - Nomade Riddim


Retomando atividades, o ciclo das quartas em sua edição #06 apresenta novas producões experimentais, a exemplo do Nomade Riddim, do percussionista João Cassiano.

NOMADE RIDDIM:

Projeto do percussionista João Cassiano, que transita entre música eletrônica experimental,guethotech, dub e percussão étnica. Atualmente se encontra no Volume 3 – http://www.4shared.com/file/TgjkuN4U/nomade_riddim_vol03.html

JOÃO CASSIANO: 31 anos, atuando na cena paraibana desde os anos 90 como ilustrador,zineiro, dj,percussionista, dublê de jornalista e quebra-galhos em geral. Atualmente trabalha com a Cia Lunay de dança e sua coordenadora, a bailarina Kilma Farias e com a banda Real Futuro Antigo; além de manter um podcast sobre jazz,música eletrônica e música étnica no site DaDa Radio, intitulado ESTÉTICA TERCEIRO MUNDO
(http://www.dadaradio.net/category/estetica-terceiro-mundo/).

DJ Wandeerlito Wanderleey

DJ set, para relaxar, a cargo de Wandeerlitto (HOL), com musicas legais de varios recantos no planeta(Alemanha, Pakistao, Japao, Portugal, Grecia, Madagascar)

Música para ser experimentada vem se materializar com o duo Descarrego (Armando Anthony + Victorama), musica improvisada visceral, com suas raízes na matiz afro-alemã. Sem ser moderno ou avand gard, buscam exorcizar atraves das ondas sonoras, toda a vontade de fazer “noise”. Guitarra “preparada” , bateria, minimalismos e microfonias para quem gosta.

Armand Anthony + Victorama (Duo Descarrego)

No terceiro ato, todos juntos e misturados: Burgo (trompete), Victorama (Bateria), Leo Marinho (guitarra), Cassiano(percussoes), Armando Anthony(guitarra), Thiago Sombra (Baixo e eletros), ChicoCorrea (flautas, eletros, guitarra) e Totonho (Aboiador de vacas elétricas) fazendo musica improvisada.

Thiago Sombra

ChicoCorrea

Cassiano

Burgo

Vitorama

Totonho

Leão Marinho (Burro Morto)

No Espaço Mundo

26/01/11 Quarta-feira 20h | R$5 (+1 cerva gratis)
20:00 hs: Dj Wandeerlito
20:50 hs: Duo Descarrego
21:50 hs: Nomade Riddim
22:50 hs: Improvisacao: Cassiano, Victorama, Armando Anthony, Thiago Sombra, Burgo, ChicoCorrea e Totonho.

O autor do texto é Esmeraldo Marques a.k.a ChicoCorrea dj.producer.guitar.player www.transeuropetabajara.blogspot.com http://www.myspace.com/esmeraldopergentino
* O projeto Ciclo das Quartas é produzido por DJ Chico Correa em parceria com o Espaço Mundo.


Bandas paraibanas no MySpace



Com a intenção de manter um arquivo de bandas (ativas ou não) paraibanas, segue uma lista com links para o MySpace de algumas - para quem quiser conhecer a música de João Pessoa e do Estado. Se a sua banda não está aí, avise e atualizaremos. A lista não segue uma ordem específica.
BACKDOORMAN - www.myspace.com/backdoormanband
VIRUS MELISSA - http://www.myspace.com/virusmelissa
OUTONA - www.myspace.com/bandaoutona
MUSA JUNKIE - www.myspace.com/musajunkie
MADALENA MOOG - www.myspace.com/madalenamoog8
OS REIS DA COCADA PRETA - www.myspace.com/osreisdacocadapreta
ZÉ VIOLA PROGRESSIVE BAND - www.myspace.com/zeviolaprogressiveband
ELEONORA FALCONE - www.myspace.com/eleonorafalcone
MEIO ACÚSTICO QUASE ELÉTRICO - www.myspace.com/maqespace
LA GAMBIAJA - www.myspace.com/lagambiajapb
THE SILVIAS 20HORAS DOMINGO - www.myspace.com/thesilvias20horasdomingo
OS CARONAS DO OPALA - www.myspace.com/oscaronasdoopala
SCARY MONSTERS - www.myspace.com/bandascarymonsters
ANDADA - www.myspace.com/andadaoficial
SQUIZOPOP - www.myspace.com/squizopop
ANONIMATO - www.myspace.com/bandanonimato
HAZAMAT - www.myspace.com/hazamat
UBELLA PRETA - www.myspace.com/ubellapreta
TRIBO ÉTHNOS - www.myspace.com/triboethnos
PUTRIRANCORRAGIA - www.myspace.com/putrirancorragia
SEU PEREIRA E COLETIVO 401 - www.myspace.com/seupereiraecoletivo401
BRASIS - www.myspace.com/bandabrasis
MENTES MUTÁVEIS - www.myspace.com/mentesmutáveis
SEX ON THE BEACH - www.myspace.com/sexonthebeachsurf
BLUE SHEEP - www.myspace.com/bandabluesheep
MEIO FREE - www.myspace.com/meiofree
BALUARTE - www.myspace.com/espacobaluarte
SÓCRATES GONÇALVES - www.myspace.com/socratesgoncalves
NO ME ABANDONESS - www.myspace.com/nomeabandoness
MUSA JUNKIE - www.myspace.com/musajunkie


quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Flyers dos nossos dois últimos shows, e do próximo (04 de Fevereiro) que, depois de uma pausa involuntária, marcará o retorno da banda La Gamabiaja aos palcos da cidade. Conheça a La Gambiaja >> http://www.myspace.com/lagambiajapb



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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

ALEGRIA! ALEGRIA!




Felicidade, não; mas a alegria, sim, pode-se comprar
em garrafas de variadas cores & sabores & valores
de R$ 1,50 a R$ 480,00, como a de Blue Label no Carrefour
& outros exemplos que não vêm ao caso na poesia

Em 1973, esta cidade não era assim...
Hoje, não; o dia termina & a menina sai por aí
& vai ao Orlando’s, & vai ao Elvis, ao Bebe Blues
& fica chapada: cerveja barata & Hollywood
& tem o Centro Histórico & a Rua da Areia...
& mais umas coisas que lhe incendeiam
& volta para casa carregada pelos amigos
dizendo que “a noite foi incrivelmente incrível...”
embora não lembre o que veio depois do trago de licor
repetindo a farra em noites sem fim com seu louco amor

Felicidade, não; mas há alegria em enganar a morte
sambando com a sorte, driblando o tédio & a rotina
que a vida é um palco escuro, frio & feio após a cortina...
Um dia perguntam, & em tal pergunta medem-lhe a fé:
“Há vida após a morte, Artista, como é que é?”
E ele responde, sem pestanejar: “Sim, amigo, há!
Que quando eu me for, toda esta Vida, inda viverá”
Um dia o Ator partirá bem cedo, cumprindo sua sina
as ruas do Varadouro estarão desertas, sujas de urina
& nem mesmo os bêbados sujos & fodidos lhe notarão
um cigarro, um trago, um troco... não pedirão
As tragédias coletivas se encontram pela Lagoa
& seguem rumo à estação: a Rodoviária de João Pessoa
onde um desenho do Shiko já é coberto pela fuligem
– uma meta-história rumo ao pueril, rumo à vertigem
& o Sanhauá se insinuando como não se viu
& a madrugada dança alucinada no meio-fio
Seu blusão de couro, seu boné, sua manta cinzenta
o delírio parisiense nalgum inverno que o Ator inventa
Daí o Artista, louco & febril, abre sua mochila
arranca um livro com os poemas de Walt Whitman
& dedica gestos, maquiagem & declamação
à polonesa mártir, ícone máximo da revolução
No meio do livro há um papel cheio de rabiscos:

“Rosa de Luxemburgo”, ele canta, & o faz aos gritos
“A ti, minha Rosa, presa em Berlim
a ti, minha Rosa, editora do Arbeiterzeitung
a ti, minha Rosa, na Prisão Moabita
a ti, linda Rosa, a mais bonita!
a ti, minha Rosa, morta 1919
sob o pretexto de uma fuga que nunca houve
teu corpo jogado em um canal, em putrefação
achada tão murcha, a mais linda flor da contravenção.”

& o Ator pega um ônibus rumo à Mangabeira
& é Pedro Segundo, é curva longa & é ladeira
& desce no shopping & faz a pé o resto do caminho
& vê-se cansado, & está amargo & está sozinho
As ruas se enchem, bem devagar, gente a correr
ele levanta o rosto, respira o ar sujo & quer morrer
vê que já não pode, não pode não, & ouve de alguém
que “só se vive uma vez, & só se morre uma vez também”
...
Essa dor é a paga, & o castigo bem merecido
por ter acreditado, por ter amado, por ter vivido...

A alegria mora numa canção feita por Caetano
& a tristeza é senhora, desde que o samba é samba
& se, felicidade, não se compra; a alegria, sim
com licores, amores, com arte & outras medicinas
como na canção, onde o Caetano também ensina
“Cantando eu mando a tristeza embora...” Ora
vai-se a canção & seu efeito já não demora
o que fica entre o trágico & o cômico, é o hiato
o hiato obsequioso da expectativa do “& agora?”
& o Ator, morto, sabe... & por isso mesmo lamenta
& chora tão bem que até parece que representa
& o povo chora, tão comovido, & o povo rir, de tanto feliz
& o povo chora de tanto rir, & aponta o dedo, & diz:
“Vede! Vede como ele interpreta bem! Vinde ver!
Ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha he...”
Ah, como sabe o Ator, & o sabe tãooo bem
que tal elogio, por toda uma vida, é qual desdém

“Eu quero um circo em meu quintal... & um quintal”

ele dizia ao pai, & diz à sua mãe, de nariz choroso
mas só veria o circo aos 25, tão desgostoso
Que o mundo é tristeza & desolação, nunca duvidou
Mas, que fosse tanto, nunca pensou que acreditaria...

Felicidade, não; mas a alegria, sim, pode-se comprar
& há uma garrafa para cada gosto, cada paladar
de R$ 1,50 a R$ 480,00, como a de Blue Label no Carrefour
& outros exemplos que não vêm ao caso na poesia


sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Dois estudantes ficam feridos em protesto contra aumento da tarifa


Quando os estudantes anunciaram o início do ato foram duramente reprimidos pelos supostos empregados das empresas de transporte público


NA TARDE DESTA QUINTA-FEIRA (12/01) cerca de 200 empregados de várias empresas de transporte coletivo participaram de uma manifestação em retaliação ao ato organizado por estudantes para protestar contra o aumento das passagens. Haviam cerca de 80 estudantes e dois acabaram feridos no confronto.

Os estudantes protestavam pacificamente contra o aumento de 10% do valor da passagem de ônibus em João Pessoa, em frente ao Paço Municipal, centro da capital.

A Polícia Militar interviu para conter o conflito, evitando que o movimento “descambasse” para a violência.

O jornalista Rafael Freire chegou a ser agredido com um soco por uma das pessoas contrárias à manifestação.

Segundo relatos dos estudantes, enquanto a mobilização contra o aumento era organizada, dezenas de pessoas fardadas com uniformes de empresas de ônibus da capital começaram a se reunir em frente ao local. Quando os estudantes anunciaram o início do ato foram duramente reprimidos pelos supostos empregados das empresas de transporte público.
























O estudante Enver Cabral, que participa da organização das mobilizações denominadas "#ContraoaumentoJP", afirmou que um grupo de homens uniformizados partiu para cima dos estudantes que discursavam através de um carro de som. "Sem nenhum motivo aparante nos vimos surpreendidos por mais de trinta pessoas, que tiraram o microfone das nossas mãos e nos intimidaram com ameaças de agressões".

O aumento nos preços das passagens foi classificado por ele de covarde. "Reajustar os valores nas festas de final de ano foi covardia".

Nesse momento, os estudantes saíram em passeata pelas ruas do centro da capital em direção ao Parque Sólon de Lucena carregando faixas e dando a palavra de ordem “Se a passagem não baixar, a cidade vai parar”.

Em panfleto distribuído junto à população, os estudantes informavam sobre o envolvimento da prefeitura de João Pessoa de estar a serviço dos empresários de transporte.

Os estudantes se reunirão com o prefeito Luciano Agra no próximo dia 18 em uma audiência. Na pauta da reunião estão a redução da tarifa, a realização de um seminário de mobilidade urbana na cidade de João Pessoa e a solicitação de uma auditoria das contas das empresas de transporte urbano da Cidade.












Fonte: Texto de Anderson Pereira, blogdoandersonpereira.com, com fotos de Thercles Silva - 13/01/2011

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A velha sambista e os indies brasileiros


Em solenidade, ministra Ana de Hollanda recebe o cargo do ex-ministro Juca Ferreira. Foto de Pedro França


DIGA LÁ, indie estatal, você aí de chinelo, acostumado a não precisar correr atrás de público porque só toca em festivais bancados com dinheiro do Estado: que tal ser chefiado por uma sambista?
Ana de Hollanda, nova ministra da Cultura, cantava samba nas antigas. Agora, boa parte do rock do Brasil, aquela que se aninhou na sombra confortável dos patrocínios governamentais, teme ver sua casinha cair.
Acompanho só de longe as políticas públicas para cultura, mas logo desconfiei de que Ana de Hollanda era uma forte mudança em relação às gestões de Gilberto Gil e Juca Ferreira.
E, se eu tinha alguma dúvida disso, ela acabou quando li a coluna de meu vizinho de Folhateen Ronaldo Lemos na semana passada.
Lemos é um dos arquitetos, vamos dizer assim, da política do ex-ministro Gil. Cultura digital, software livre, foco nos artistas "fora do eixo", tudo isso faz parte desse ideário.
No texto, a meu ver, Lemos tentava apresentar Ana de Hollanda ao que vinha sendo feito no ministério. Nas entrelinhas, sutilmente, pedia que ela não botasse tudo a perder.
Agora que os nacionalistas digitais de Gil deram lugar aos nacionalistas analógicos de Ana de Hollanda, será que os indies estatais vão sobreviver?
Claro que eles são espertos, e também tomam grana da Petrobras, de Secretarias de Cultura etc. Mas é bom lembrar que o ministério é que dá a linha mestra. E a pasta foi tomada por gente da velha guarda do samba e por carreiristas do PT.
Quem diria, os indies estatais, sem público mas com verba pública, caíram nas mãos de uma velha sambista. O Brasil é mesmo bem louco.

Mais sobre a ministra

Ana de Hollanda nasceu em uma família de intelectuais e artistas, é filha do casal Sérgio Buarque de Hollanda – um dos mais importantes historiadores brasileiros – e da pianista Maria Amélia Alvim. Aos 62 anos, é cantora, compositora e gestora cultural.

De 1983 a 1985, chefiou o setor musical do Centro Cultural de São Paulo. Entre os anos de 1986 a 1988, foi secretária de Cultura do município de Osasco, na gestão Humberto Parro (PMDB). De 2003 a 2007, dirigiu o Centro de Música da Fundação Nacional de Artes, do Ministério da Cultura (Funarte/MinC). Nos últimos três anos, foi vice-presidente do Museu da Imagem e do Som (MIS), do Rio de Janeiro.

Veja o vídeo da cerimônia de posse

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A primeira parte do texto é de Álvaro Pereira Júnior, no ESCUTA AQUI: www.cby2k@uol.com.br, a segunda parte é de Elisa Salin, Comunicação Social / MinC



segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

PEDRO EM CARNE VIVA

Pedro em Carne Viva

Foto: Felipe Gesteira

Um dos fundadores do Jaguaribe Carne, Pedro Osmar faz um balanço do legado cultural deixado pelo grupo, relembra fatos marcantes de sua trajetória e alfineta a cena rock paraibana

Os vinis de capas coloridas ainda podem ser encontrados em sites de venda da internet, a preços que não dão a dimensão histórica sequer da imagem estampada nas contracapas: ali, com um sorriso amarelado pelo tempo, dispostos numa formação que lembra a das delegações das seleções de futebol, 40 músicos posam desordenadamente para uma foto que marcou época.

Confundido entre semblantes simpaticamente fantasmagóricos, está o ainda desconhecido Chico César, que acabara de gravar sua primeira canção, “Virgem louca mimadinha”, uma sátira da narrativa bíblica de Salomé, que pede a cabeça de São João Batista ao tetrarca Herodes. Uns timidamente sentados, outros alvoroçadamente de pé, destacam-se, ainda, os jovens Paulo Ró, Dida Fialho, Braulio Tavares, Gilvan de Brito... Todos eles parecem orbitar em torno da aura de um sujeito sorridente, que salta do centro da foto com seus cabelos revoltos e cavanhaque estranhamente desgrenhado: seu nome é Pedro Osmar.

Quase 30 anos depois daquela fotografia, que ilustrou os dois primeiros volumes do LP Música da Paraíba, de 1982, Pedro é aparentemente a mesma figura pacata que, amenizado pelo adicional das décadas, ainda guarda um brilho tímido no olhar.

Duas palavras, porém, acendem a chama de suas pupilas, e são elas que vão se repetir em mais de meia hora de conversa nos corredores da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), onde trabalha desde 2006 no desenvolvimento de ações nos bairros de João Pessoa: Jaguaribe Carne e Guerrilha Cultural.

“É só através da guerrilha cultural que a gente consegue transpor os limites de uma cidade como João Pessoa”, afirma o músico, completamente à vontade em seu traje diário de trabalho: camiseta, bermuda e sandálias. “As capitais do Nordeste são tipicamente reacionárias. A atitude reacionária está na Academia, está nas ruas. Ou criamos uma barreira, uma muralha ideológica, ou estamos fadados a não fazer absolutamente nada”, completa.

Um dos fundadores do ‘Jaguaribe Carne’ – mais que um grupo, um movimento cujas ações até hoje repercutem estética e politicamente na cultura paraibana -, Pedro continua a acreditar nas ideias que semeou nos anos 1970, quando mobilizações como o ‘Musiclube da Paraíba’, o projeto ‘Fala Bairros’ e o ‘Movimento de Escritores Independentes’ estavam num processo de gênese que iria culminar na proposta de “antropofagia integrada” promovida pelo ‘Jaguaribe’. “Tento viver sempre nos extremos daquilo que acredito, e eu acredito num projeto de arte ideológico, apesar da dificuldade de que um projeto desses, que não pressupõe o consumo, sobreviva nos dias de hoje”, diz o artista.

Ressurgindo esporadicamente da poeira do passado em shows, turnês e participações, Pedro Osmar e o ‘Jaguaribe Carne’ se juntaram, em 2004, à caravana Rumos Itaú Cultural, viajando dez cidades do Brasil participando de apresentações e debates.

Foi em um deles que Pedro Osmar conheceu Marcelo Garcia, um diretor de cinema que se interessou por sua história quando, enquanto debatedores faziam apologia a dispositivos tecnológicos como instrumentos da música, Pedro Osmar defendia, ferrenhamente, o instrumento da música como dispositivo ideológico.

Ao lado de Fabia Fuzeti, Marcelo Garcia produziu o documentário Jaguaribe Carne: Alimento da Guerrilha Cultural, filme que foi selecionado pelo Programa Petrobrás Cultural em 2006 e exibido no Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa (Cineport), no ano seguinte. “O documentário prova que o ‘Jaguaribe Carne’ passou por um crivo muito estreito, que é o da crítica que pensa a cultura do eixo Rio-São Paulo”, afirma Pedro Osmar.

Um ano antes da gravação do filme saía Farinha Digital, disco solo que amadurece a linhagem experimental do Jaguaribe Carne unindo as pontas da tradição popular com as correntes musicais de vanguarda. “O trabalho do Jaguaribe Carne se fundamenta em duas tendências: a que eu chamo de ‘Hermeto Pascoal’ e a ‘Geraldo Vandré’. A verve Hermeto é inspirada no conceito de música livre, da anarquia sonora. A Vandré é a de ter a coragem de dizer as coisas, o que era típico de nossa geração”, aponta.

Falando em gerações, Pedro Osmar é assumido como influência por bandas que, sufocadas pelo sincretismo atordoante da música atual, vão buscar novos ares no velho panorama histórico da música paraibana. Ditos tributários de sua sonoridade, estes talentos que despontam por aqui são acolhidos muito bem pelo mestre: “Vez ou outra, bandas como Madalena Moog, Ubella Preta e Zé Viola Progressive Band me chamam para fazer um ‘free’. Eu aceito fazer o que chamo de ‘free’ porque eu tenho verdadeiro pavor a ensaios e essas bandas têm uma atitude típica do rock. Eu nunca fiz rock, mas gosto da provocação e da bagunça”.

Diante do envolvimento destas bandas com coletivos de rock que tentam movimentar o cenário cultural pessoense, entretanto, Pedro Osmar se mostra implacável. “Não enxergo nem unidade, nem consistência neste movimento. Estas bandas e coletivos têm, sem dúvida, uma importância para a cena rock, mas nada além disso. Eles não saem do Varadouro”, diz Pedro.

“É preciso assumir a cidade como palco, assumir a cidade como universidade”, conclui com toda a propriedade de quem, anos atrás, articulou com seu irmão Paulo Ró o vórtice do Jaguaribe Carne, para onde convergiram recrutas que representavam os bairros de toda a João Pessoa.

“Do Castelo Branco, tínhamos Chico César; da Torre, Totonho; Milton Dornellas vinha do Altiplano; Paulo Ró, Adeíldo e eu, do Jaguaribe. Isso facilitou a ocupação dos bairros, onde íamos e dialogávamos com liderenças, organizávamos sessões de cinema. Cheguei a reunir toda a comunidade de uma favela no quintal da minha casa para ver um filme de Vladimir Carvalho”, lembrou.

A sessão doméstica de Incelência para um Trem de Ferro (1971), filme do diretor paraibano em que seu irmão e futuro cineasta Walter Carvalho trabalharia pela primeira vez como assistente de fotografia, foi um acontecimento marcante para Pedro Osmar. “Minha mãe, deficiente visual, ouvia tudo e ficava me perguntando o que estava acontecendo. Ela perguntava: ‘E onde é que esse povo todo vai sentar, meu filho?’, recorda-se Pedro, emocionado. “A música, a literatura, a dança eram eixos pra gente dialogar com aquelas pessoas, falar das suas dificuldades, discutir problemas de saúde, de transporte”.

O que pode parecer uma obsessão de Pedro Osmar por encontrar na música uma função social, talvez se explique nos ecos sofridos de sua trajetória. De origem humilde, ele e seu irmão se acostumaram a tocar em instrumentos estropeados, com cordas frouxas e de acústica suja. “A primeira vez que Carmélio Reinaldo (professor do Departamento de Comunicação da Universidade Federal da Paraíba) ouviu nossa música disse o seguinte: ‘Mas como é possível que vocês, com violões quebrados e encordoamento velho, façam um som desses?’. Nós não tínhamos acesso a muita coisa, tudo era conquistado com bastante luta e dificuldade”, conta o artista.

Tendo que se acostumar a conceber o processo musical não apenas como o ato de tirar melodias de um bom violão (por não dispor de um), Pedro Osmar abriu sua mente e passou a valorizar o único instrumento que tinha de graça: o discurso. É a palavra que ele usa como arma para mudar seu mundo, é com ela que mobiliza as forças materiais que por anos lhe faltaram, em ideias e projetos que vem conduzindo na Funjope.

Animado com a atmosfera de renovação política e dos recentes frutos que sua militância conquistou, Pedro Osmar não deixa de transparecer cautela: “A reflexão crítica é um momento importante em qualquer processo. É preciso que o segmento cultural paraibano não se disperse, não entregue as suas armas”, diz o mentor do Jaguaribe Carne, que fala com o jargão típico daqueles que, como ele, um dia já fizeram o que, na música, tantos tentaram e poucos conseguiram: uma revolução.

(Texto/entrevista de Tiago Germano, originalmente publicado na edição de 09/01/2011 do Jornal da Paraíba)