sábado, 8 de setembro de 2007

semiótica & pós-modernismo

O SIMULACRO SAIU PELA CULATRA
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Ivan Lessa
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"A bala ecoou pela rua abandonada e foi se aninhar bem do lado esquerdo
da vasta estrela que enfeitava o céu naquela noite de fingimento".
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Baudrillard, o franco-atirador da teoria de que tudo é ilusão,
mandou o Capitão América desta para a pior

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Jean Baudrillard tinha o peito estrelado do Capitão América na alça de mira de seu fuzil semiótico. Molhou de saliva dois dedos da mão esquerda e nela os passou. Baudri, como era conhecido nos meios da capoeira filosófica em Paris, prendeu a respiração, fechou um olho. Acertou no telescópio o outro, o bom, e começou devagar a apertar o gatilho. Estava apoiado na janela do quarto andar de um edifício abandonado em bairro anônimo de Nova York.

Do outro lado da rua, destituído de escudo, fumando um cigarro após o outro, tomando o cuidado de não queimar suas longas luvas vermelhas, a malha de lycra acentuando suas formas másculas, com a vasta estrela branca bem no meio do peito, e as listras vermelhas descendo até a cintura, o rosto como sempre coberto pelo capuz que lhe deixava livre apenas a boca e o nariz para respirar, as duas pequenas asas a lhe enfeitar a máscara (que ele nunca entendera para que serviam) e as botas, sempre vermelhas, que lhe emprestavam uns bons três centímetros a mais na altura, lá estava ele: a pústula irreal do Capitão América, ou Captain America, como preferem os mais jovens.

Ninguém lhe daria mais do que uns 30 e poucos anos. Beirava os 90. Na carteirinha de identidade, que nunca se esquecia de colocar no cinto de utilidades – que copiara de Batman –, seu nome, Steve Rogers, e o endereço de seu modesto apartamento. Em outro compartimento, uma pequena foto do velho companheiro de tantas aventuras, tantas loucuras, Bucky, há muito desaparecido. Possivelmente enfrentando o bando de Alzheimer e seus asseclas num hospital qualquer do Meio-Oeste. Cap, como os mais íntimos o chamavam, recebera um telefonema anônimo, dizendo que estivesse em tal rua e esquina, debaixo de tal lampião, às 11 horas da noite, sem falta. O assunto, dissera a voz disfarçada, era de seu interesse. Cap – a inteligência nunca fora seu forte – compareceu.

A bala ecoou pela rua abandonada e foi se aninhar bem do lado esquerdo da vasta estrela que enfeitava o céu que, naquela noite de fingimento, par nenhum de namorados veria embevecido: estrela a se apagar e a não realizar desejo algum de ninguém. Foi a bala furando o papel de jornal chinês (é mais barato lá), de que era constituído o velho herói, até atingir seu coração de papelão e Cap ir sangrando, sangrando e sangrando nanquim enquanto toda a sua vida desfilava pelos olhos de quem pagara suados trocados pelo número 25 de seu comic book, sua bande dessinée, seu gibi.

Jean Baudrillard, nervoso, deixou a arma por ali mesmo. Pegou de sua capa e pasta de couro – parecia um Lee Harvey Oswald no depósito de livros da biblioteca em Dallas – repleta de anotações para futuros ensaios e, vivendo num mundo que acreditava, não só possível, mas também real, desceu afobado as escadas e saiu à procura de um táxi, como ele, de verdade. Correu alguns quarteirões. Seu coração sentiu o esforço (era quase da mesma idade que Steve Rogers, ou o Capitão América), passou mal, um passante (real, assaz real) chamou a ambulância e o instigante pensador foi levado às pressas para um hospital de Paris, onde após tratamento intensivo (para valer, concreto, genuíno) veio a falecer – pediu o boné, vestiu o paletó de madeira, bateu com as dez, conforme se comentou, no dia seguinte, em bares bem informados do eixo Rio-São Paulo. Pouquíssimos falaram da morte quase no mesmo dia, mas ainda não traduzida para o português, do Capitão América. Baudri foi o papo e a pauta.

Você entende, meu bem, o Capitão América era de mentirinha. Jean Baudrillard, não. O primeiro deverá, mais uma vez, ressuscitar, o segundo não. O primeiro morreu inclusive no cinema em Sem Destino (Easy Rider), de 1969, juntamente com Bucky – Peter Fonda e Dennis Hopper, respectivamente –, filme que os cinéfilos julgam seminal para se entender os anos 60, 70 e a Guerra do Vietnã, embora o esplêndido escritor (para valer, e como!) Terry Southern tenha dado roteiro, boa parte dos diálogos e o título, pinçado num velho blues querido a Southern. “Cap” Fonda e “Bucky” Hopper foram mortos a chumbo grosso em sua moto quando um par de caipiras passou por eles. Morreram de mentirinha. Só no filme. Feito o herói das HQ. Terry Southern e Jean Baudrillard embarcaram para valer. Sem semiotizações maiores.

Pena que continue circulando nos States Frank Miller, responsável por inomináveis tolices que andam por aí – Sin City, 300 – empanando o nome, já meio besteira, de “romance gráfico”, que o bom, mas bom mesmo, Will Eisner, em 1978, criou sozinho, sem Bucky ou Frankie, com Um contrato com Deus e outras histórias de cortiço (lançado pela Brasiliense, entre vós, em 1988). Essas coisas são marketing e nada mais. Existem meio de banda, digamos assim. Mesmo o Maus, do Art Spiegelman, com seu prêmio Pulitzer, me dá sérias dúvidas (não entrarei nelas aqui). Melhor que, como a maior parte das coisas, não existissem. Só atrapalham. Baudrillard estava certo: a Primeira Guerra do Golfo não existiu. Kosovo, muito pouco. O Iraque, com tanta realidade, ou irrrealidade, vamos confundir um tico os pontos de vista, acabou levando Baudri ao fuzil e ao encontro marcado com o Capitão América. Contradizendo o poeta T.S. Eliot, a humanidade suporta um bocado de falta de realidade.

Pincemos, no entanto, o pensador gaulês, que, ao contrário dos super-heróis das HQ, não está mais entre nós: a natureza é imortal e os homens, mortais. Só o hiper-real poderá nos salvar. Os Estados Unidos, no fundo, mesmo com seus espaços abertos para a simulação (tecnologia etc.), são a única sociedade primitiva a subsistir no mundo. Também disse Baudri: “A única coisa a fazer é penetrar na ficção que é a América, nela penetrar como ficção. Pois é como ficção que a América domina o mundo”.

Em breve nas boas livrarias do ramo: A volta do Capitão América. E talvez O pensamento de Jean Baudrillard, um romance gráfico de Frank Miller e equipe. Possível que ambos virem filme.
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Texto em: http://www.revistapiaui.com.br/2007/abr/semiotica.htm
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POST SCRIPTUM
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Enganam-se completamente aqueles que pensam que, por qualquer texto estar
publicado neste blog, o dono do mesmo concorde com eles.
Aliás, o dono do blog tem concordado com MUITO pouca coisa nos ultimos dias...

dialética do pop

B E A T L E S
Marcelo O. Dantas

"Ninguém encontrará um solo de 15 minutos num disco dos Beatles.
Mas eles tocavam com convicção, com gosto. Num estilo próprio, inigualável".



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As contradições entre o apaulíneo e o johnisíaco ajudam a explicar
a permanência do grupo inglês


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Ainda outro dia, um amigo me mandou um e-mail contando que havia presenciado uma cena saída diretamente do seriado Túnel do tempo. Encostados no balcão do bb Lanches, no Rio, dois garotos, de no máximo 13 anos, conversavam assim: “Você sabe por que eles fizeram Taxman? Porque na Inglaterra tinha imposto pacas. Eles fizeram uma música de protesto!”. Ao que o outro aquiesceu, acrescentando mais um caminhão de informações sobre o hino antitributário do álbum Revolver.

Meu amigo ficou estupefato. Era como se nós dois estivéssemos ali, 30 anos antes, tomando um suco depois do colégio. Nessas três décadas, o mundo virou do avesso. Acabou a guerra fria, o regime militar, a paz no Leblon. Sérgio Dourado faliu, Star Wars cansou, Joey Ramone morreu. Foi-se tudo e mais um pouco. Mas os garotos ainda estão lá, falando dos Beatles.

Alguns historiadores do rock atribuem o fenômeno às vantagens do pioneirismo — os Beatles foram as pessoas certas no momento certo. Tinham o talento, o visual e a ousadia necessários para ocupar o vazio deixado pelo esgotamento criativo de Elvis, Chuck Berry, Little Richard e companhia. Mal despontaram para o estrelato, entenderam a importância de se posicionarem na vanguarda de uma década revolucionária. E foram assim pavimentando o caminho para a explosão internacional do rock, a difusão da contracultura e a grande revolução musical e comportamental dos anos 60.

Embora sensato, o argumento se refere apenas ao passado. Não explica nada sobre a permanência dos Beatles. Nenhum moleque vai sair da sua casa e ir até o camelô da esquina comprar um cd por conta do papel histórico de uma banda na formação do mundo moderno. Além do quê, sejamos objetivos: os anos 60 terminaram faz tempo. Permanece então a pergunta: como pode alguém se apaixonar pelos cabeludos de Liverpool em meio ao cinismo e à desesperança do século xxi? Como pode um jovem saudável contrair a febre da beatlemania em plena era do hip-hop e da cultura digital? O palpite é simples. A música — tudo se resume à música.

Os quatro nunca foram instrumentistas virtuosos. Ninguém encontrará um solo de 15 minutos num disco dos Beatles. Mas eles tocavam com convicção, com gosto. Num estilo próprio, inigualável. Utilizando até a última gota os recursos técnicos a seu dispor. Quando necessário, sabiam acolher a contribuição de amigos brilhantes. E, como num passe de mágica, o convidado era incorporado ao som da banda, tornando-se o quinto elemento: Clapton arrancando gemidos da sua Les Paul em While My Guitar Gently Weeps, Billy Preston incendiando Get Back com seus teclados endiabrados.

Outra virtude: eles cantavam bem. Talvez sem o virtuosismo de Ray Charles, Sam Cooke ou Aretha Franklin, mas com fabuloso esmero. Cantar não é apenas uma questão de extensão vocal e técnica apurada. É também possuir um bom timbre, e usar a voz com caráter, potência, precisão. Quem pode resistir ao suíngue vigoroso de Lennon em Twist and Shout ou ao charme nostálgico de McCartney em When I’m Sixty-Four? Quem consegue ser mais expressivo que John em I’m So Tired ou mais irado que Paul em Helter Skelter? Mesmo George e Ringo tinham seus momentos. A performance do homem dos anéis em Boys merece figurar em qualquer antologia de rockabilly. Os vocais de Something fizeram a cabeça até do exigente Sinatra.

Eles eram também mestres da harmonia. Sabiam como poucos combinar suas vozes, fazer arranjos, colorir as canções com impecáveis duetos e corinhos. De If I Fell a Because, John, Paul e George fizeram o diabo. Durante seus anos de formação, os três beberam na melhor escola da música negra americana, ouvindo muito rythm’n’blues e soul music. Eles se ligavam mais no som de gravadoras como a Motown, a Stax-Volt e a Atlantic do que propriamente no blues raiz da Chess Records, porém ainda assim curtiram, aprenderam e internalizaram uma música negra legítima. Cheia de balanço, alegre, contagiante. Que os influenciou até o final — especialmente ao blackman McCartney. Let It Be não é outra coisa senão um poderoso hino gospel cantado por um pastor de alma retinta.

Eles tocavam tudo, ouviam tudo. Sabiam aprender e recriar. Poucos grupos, em toda a história do rock, conseguiram ser uma banda cover tão boa como os Beatles. Os quatro tocavam Please Mr. Postman, You Really Got a Hold on Me, Roll over Beethoven, Money (That’s What I Want), Rock and Roll Music ou Kansas City vários furos acima dos originais. Coisa que nenhum dos demais integrantes da invasão inglesa jamais chegou a fazer. Os Stones eram intérpretes sofríveis de Muddy Waters e Howlin’ Wolf. Os Beatles cantavam Smokey Robinson melhor que o próprio.

Eram também ousados, destemidos. Capazes como ninguém de desbravar novas áreas para o avanço da música popular. She Loves You, And I Love Her, Yesterday, Norwegian Wood, Day Tripper, Paperback Writer, Strawberry Fields Forever, Lucy In The Sky With Diamonds, A Day In The Life, All You Need Is Love, Lady Madonna e Here Comes The Sun alargaram o universo de possibilidades da música pop, trazendo novas formas de tocar, novos estilos, novas técnicas de gravação, novas estruturas de composição.

Atribuir tanta inventividade apenas ao produtor George Martin (como o fazem alguns críticos) é uma tolice que só pode ser cometida por quem nunca ouviu Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band — com Peter Frampton e os Bee Gees. Foi o maestro quem produziu o disco. E a genialidade nem passou por perto.

amadurecimento musical da banda pode corresponder, facilmente, ao amadurecimento natural de qualquer pessoa que vai se descobrindo um amante da música. E, por isso, atrai, conquista, cria vínculos. Além do que, trata-se de um amadurecimento generoso, inclusivo, ponderado, que jamais pretendeu renegar a simplicidade dos primeiros anos. Os Beatles adicionaram novas veredas a sua trilha inicial, sempre com a convicção de que o simples e o complexo são duas formas distintas de se chegar à beleza. Penny Lane nunca será melhor que I Saw Her Standing There. Apenas diferente. Uma forma distinta de se chegar à perfeição.

Adiversidade e a amplitude do som dos Beatles criam várias portas de entrada para quem está começando a se interessar por música. Conheço pessoas que se viram atraídas pelo balanço juvenil de I Should Have Known Better, pela viagem indiana de Within You and Without You, pela elegância clássica de Eleanor Rigby, pela lucidez enérgica de Revolution, pelo sabor folk de Blackbird e pela fantasia sing-along de Yellow Submarine. Cada um chegou ao quarteto por uma via diferente; e, a seu modo, todos acabaram por fazer o circuito completo.

Os Beatles eram um mecanismo de criação. Sempre olhando para a frente, sem jamais se escorar no êxito formulaico. A força propulsora desse mecanismo era (eis a minha tese central) a interação dialética de Lennon & McCartney. Uso a palavra sem pedantismo, em seu sentido mais amplo. Dialética é diálogo, embate, discussão. Mas também o jogo permanente e sem descanso. Adição e contradição; unidade e multiplicidade; identidade e diferença. Movimento e síntese. Dois compositores igualmente geniais, mas com inclinações distintas, por vezes opostas. Dois líderes cheios de idéias e talento. Um levando o outro a permanentemente se superar. Ambos avançando: ora juntos, ora separados. Nenhum permitindo ao outro se acomodar. Nenhum aceitando ser deixado para trás.

Em geral, as grandes parcerias musicais são compostas por um melodista e um letrista, que unem forças, formando uma perfeita unidade: Rodgers e Hart, George e Ira Gershwin, Tom e Vinícius, Lieber e Stoller, Page e Plant, Keith Richards e Mick Jagger, Elton John e Bernie Taupin. No caso de Lennon & McCartney tudo muda. Ambos eram compositores completos, autônomos. Mas entenderam, desde cedo, a importância de buscarem um ao outro. Muitas duplas de compositores somam. John e Paul multiplicam.

As narrativas mais comuns da trajetória dos Beatles levam a crer que a parceria Lennon & McCartney existiu apenas na fase inicial do conjunto, tornando-se mais tarde mera convenção. Trata-se de um engano. Eles foram parceiros até o final. Mesmo quando escreviam separados, John e Paul o faziam um para o outro. Pensavam, sentiam e criavam obcecados com a presença (ou ausência) do parceiro e rival.

Sem a contribuição decisiva de Mc-Cartney, jamais teríamos algumas das mais inspiradas canções de Lennon. Deve-se a Paul a abertura de Strawberry Fields Forever, o arranjo grandioso de All You Need Is Love, os efeitos de tape de Tomorrow Never Knows, a alucinação de I Am The Walrus, o ambiente sobrenatural de Come Together. Lennon era um purista musical, apegado a suas raízes, calcadas no rock’n’roll, rythym’n’blues e country & western. Quem embarcou de cabeça na vanguarda musical dos anos 60, quem verdadeiramente viajou na explosão sonora lisérgica foi Paul McCartney, um perfeccionista dado a experimentos, colagens, finais falsos, mudanças tonais e delírios orquestrais.

Em contrapartida, sem o olhar crítico de Lennon, sem sua verve e sua wit britânica, os mais conhecidos standards de McCartney teriam sofrido perdas poéticas. A letra reflexiva de Yesterday (inicialmente intitulada “Scrambled Eggs” – ovos mexidos, quando Macca tinha na cabeça apenas uma melodia sem palavras) foi uma clara resposta de Paul ao amadurecimento da poesia de John em I’m A Loser, Help! e You’ve Got To Hide Your Love Away. Lennon emprestava às baladas e canções pop de McCartney uma lucidez e uma sobriedade fundamentais. Ele sabia reprimir o banal e fomentar o sublime. Foi sentando- se ao lado do companheiro que Paul ganhou confiança para manter na íntegra os versos mais ousados de The Fool On The Hill e Hey Jude. Duas letras de primeira grandeza.

Em algumas canções, um ligeiro toque de Lennon fazia a diferença entre o excelente e o genial. A melhor estrofe de We Can Work It Out é de John: “Life is very short / and there’s no time / for fussing and fighting my friend”. Sem a intervenção cirúrgica do autor de Being For The Benefit of Mr. Kite e Happiness Is A Warm Gun, tampouco haveria em Eleanor Rigby a estranheza surrealista dos versos: “Waits at the window / wearing the face / that she keeps in the jar by the door /Who is it for?”. Do mesmo modo, a entrada em cena de John — na voz dos pais desesperados — é indispensável a She’s Leaving Home, talvez a mais comovente e perene canção sobre o conflito de gerações e a juventude drop-out. Canção que inspirou o nosso Rubem Fonseca a escrever a obraprima Lúcia McCartney.

A sombra ameaçadora de Lennon fornecia ainda combustível para os ímpetos rockeiros de seu parceiro e rival. A visionária Back In The USSR traz o humor irônico de John estampado no rosto. Canções como I’m Down e Why Don’t We Do It In The Road foram feitas por Paul para mostrar a John que conseguia ser ainda mais primitivo que ele. E Get Back — o melhor rocker de toda a obra dos Beatles — nasceu da (compreensível) irritação de Paul com Yoko e do seu desejo de deixar bem claro quem continuava a ser o dono do pedaço.

Mas como a dialética é uma via de mão dupla, também o lado suave de Lennon se nutria da presença benfazeja de Paul. A belíssima melodia de In My Life é puro McCartney e gemas preciosas como Girl, Because ou Julia têm as impressões digitais do parceiro por todos os lados, ainda que tenham sido escritas na mais monástica solidão.

Nietzsche atribui o caráter dionisíaco aos nossos impulsos rebeldes, subjetivos, irracionais, apaixonados, lunares; forças do transe e da intoxicação, que questionam e subvertem a ordem vigente. Em contrapartida, designa como apolíneas as nossas tendências ordenadoras, objetivas, racionais, serenas, solares; forças do sonho e da profecia, que promovem e aprimoram o ordenamento do mundo. Ao se unirem, tais forças teriam criado, a seu ver, a mais nobre forma de arte que jamais existiu.

Como criadores, tanto o metódico Paul McCartney quanto o irrequieto John Lennon expressavam à perfeição a dualidade proposta por Nietzsche, que ouso traduzir pelos termos Apaulíneo e Johnisíaco. Lennon punha o mundo abaixo; McCartney construía novos monumentos. Lennon abria mentes; McCartney aquecia corações. Lennon trazia vigor e energia; McCartney impunha senso estético e coesão. Não raro, os papéis se alternavam, se complementavam, se fundiam.

Quando os Beatles se separaram, essa magia se rompeu. John e Paul se tornaram compositores com altos e baixos; intérpretes com falhas às vezes evidentes. Fizeram coisas boas. Deram material para compilações de peso. Mas raramente se aproximaram da perfeição alcançada pelo quarteto. Sem a presença instigante de Lennon, Paul começou a patinar em letras anódinas e baladas açucaradas. Seus rockers perderam a força vital e muitos arranjos deixaram de ser pautados pelo sentido da boa medida. A alma negra embranqueceu. Não se tornou um compositor ruim. Mas se aproximou perigosamente de Elton John e Burt Bacharach. Mesmo Band On The Run parece por vezes um Abbey Road sem dentes. É música de grande qualidade. Mas os Beatles faziam melhor.

Do mesmo modo, John sofreu com a falta de Paul. Plastic Ono Band, embora genial, é um verdadeiro festival de excessos idiossincráticos. Em Imagine, John ensaia um bem-sucedido retorno à estética Beatle, mas logo em seguida a presença de Yoko irá se impor, destruindo o equivocado Sometime in New York City.

Ironicamente, o grande disco dos ex-Beatles, a verdadeira obra-prima, acabou sendo All Things Must Pass, o álbum triplo em que George Harrison deglutiu os antigos companheiros de banda, abrindo as comportas de sua produção musical, represada durante uma década à sombra de John e Paul. E foi assim, por estranhos caminhos antropofágicos, que a dialética de Lennon & McCartney brilhou pela última vez.
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Texto em: http://www.revistapiaui.com.br/2006/dez/dialetica.htm


sexta-feira, 7 de setembro de 2007

da série AS BANDAS DA MADALENA

L U N A
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Por Marcos Lamiz
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A banda americana Luna é considerada por muitos a que melhor assimilou a influência do Velvet Underground na história do rock. Formada pelo guitarrista Dean Wareham em 1991, em Nova York, após o fim da cult band Galaxie 500, o Luna já nasceu com status de banda respeitável.
Com uma textura hipnótica, melódica e poética, a sonoridade da banda tem admiradores em todos os cantos do mundo. Mesmo em lugares que nunca tiveram um disco lançado e as pessoas precisam recorrer às importadoras, o Luna é idolatrado como a pérola da música pop.
O guitarrista, vocalista e letrista Dean Wareham, nasceu a 1 de agosto de 1963, em Wellington, na Nova Zelândia, mudou-se para a capital Sydney em 1970, para Nova York em 1977 onde fez o colegial, cursou a universidade em Boston, mudou-se para a Alemanha em 1986, voltou para Boston em 1987, onde formou o Galaxie 500 e tocou até 1991, lançando três discos preciosos. Suas inspirações para escrever belas canções pop vem de livros, filmes e de sua vida particular.
Ensaiando os primeiros passos após o fim do G500, em julho de 1991Dean lançou o ep "Anesthesia" com o amigo Chimmy Chambers, do Mercury Rev. Em seguida, chamou o baixista Justin Harewood que tocava no Chills – uma das mais populares bandas da Nova Zelândia – e o baterista Stanley Demeski, ex-Feelies – uma importante banda pós-punk da cena novaiorquina no final da década de 70.
Com a respeitabilidade do G500 no meio independente, a mídia ficou atenda à nova banda, originalmente batizada de Luna2. Em 1992, saiu o primeiro álbum. "Lunapark" revelava o futuro promissor da nova banda, com uma sonoridade extremamente melódica. Clássicos como "Slash Your Tires" são obrigatórios nos shows até hoje.
Curiosamente, com apenas um álbum na discografia, o Luna foi convidado para abrir os shows da mini-turnê que o Velvet Underground fez na Europa em 1993. Os músicos do Luna passaram três semanas ao lado dos ícones da história do rock. Com isso, Dean fez amizade com o guitarrista Sterling Morrison e até saíram juntos para beber em bares.
Em 1994, Dean conquistou o sucesso e admiração que tanto perseguia com sua ex-banda. "Bewitched" revela o músico como um dos melhores compositores do rock alternativo mundial. "California All The Way", "Tigger Lily", "Friendly Advice", "This Time Around", "I Know You Tried" e "Great Jones Street" são instantâneas, grudam na memória e faz você ficar cantarolando a melodia. Este disco saiu tão inspirador graças à participação de Sterling Morrison tocando guitarra em duas músicas. Nada mais que um dos ídolos de Dean tocando ao seu lado no estúdio
Aproveitando a fase inspiradora, a banda lançou o terceiro álbum logo em seguida. "Penthouse" também traz outro ídolo de Dean tocando guitarra. Tom Verlaine, do Television, tocou em "Moon Palace", uma das mais belas canções da "lunografia". Músicas como "23 Minutes in Brussels", "Sydeshow By Seashore", "Lost in Space" e "Chinatown" fazem com que a banda fique num meio termo entre o alternativo e o pop quase mainstream, com um lugar entre os 150 melhores discos da história na votação da revista Rolling Stone. Porém, o destaque deste disco é a cover de "Bonnie and Clyde", um clássico do pop rock francês composto em 1968 por Serge Gainsbourg. A vocalista Laetitia Sadier, do Stereolab, divide os vocais com Dean num dueto impecável.
Dois anos depois, em 1997, Dean escreve o que considera o melhor disco da banda. Em "Pup Tent", o compositor deixa mais claro uma de suas maiores influências. O cinema, depois da música, é a grande motivação para Wareham. "Bobby Peru" é o nome da personagem de Williem Dafoe no filme "Coração Selvagem", de David Lynch e "Tracy I Love You" é o nome do último filme pornô feito pela atriz Tracy Lords. Com este disco, a banda saiu ao mundo. Tocou na Europa, Japão e Austrália.
Em 1999, "The Days of Our Nights" é lançado num clima conturbado. Inxeplicavelmente, a gravadora Elektra cancelou o contrato com a banda. Paradoxalmente, o disco foi o que teve a maior produção, com a banda ficando mais de três meses em estúdio gravando, o que normalmente acontecia no máximo em um mês.
Com oito anos de banda, o disco "Luna Live!" serviu mais para mostrar aos novos fãs algumas músicas antigas, bem como um registro dos shows para os países que ainda não tiveram a oportunidade de ver a banda ao vivo. Com 14 canções gravadas em três shows em Nova York, entre dezembro de 1999 e julho de 2000, o álbum faz uma retrospectiva de toda a discografia, bem como traz "4th of July", do Galaxie 500. Também é o primeiro registro com a nova baixista, Britta Phillips (ex-Belltower e Ben Lee e ex-atriz), substituta de Justin que voltou para a Nova Zelândia para ser pai de família.

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LUNA no Brasil

Por Andhye Iore

Canção para embalar sentimentos

O show da banda americana Luna, em Londrina, no dia 28 de setembro de 2001, foi um dos melhores do ano e serviu para habituar os roqueiros da região a aceitar um outro conceito de música ao vivo.
Quem se incomodou com o baixo volume no show do Yo La Tengo, em fevereiro desse ano, também ficou decepcionado com o Luna. Apesar do volume normal, o que incomodou dessa vez foi a deliciosa lentidão das músicas.
Um show arrastado, na medida exata para embalar lembranças alegres e sonhos de um futuro melhor. Como se não bastasse, ao vivo a banda lembra ainda mais Velvet Underground. O que poderia ser um defeito, se encaixa como uma luva, já que Dean Wareham segue cada passo de Lou Reed com muita propriedade.

Timidez

Em uma hora e sete minutos, o Luna tocou 14 canções divididas entre os discos "Bewitched", "Pup Tent", "Penthouse" e "Days of Our Nights". Os destaques foram "Tigger Lily", cantada em côro, "Slash Your Tires" e "Bonnie and Clyde". Nestas três músicas, o público aplaudiu, cantou e dançou timidamente.
O show passa uma certeza na história da banda. O Luna pode, tranqüilamente, ser dividido em a.B. e d.B. Ou seja, antes da baixista Britta Phillips entrar na banda e depois de sua presença. É incrível como ela chama a atenção do público. Sem contar que tem uma belíssima voz, o que é essencial.De mini-saia preta, bota de couro, delicadas paletadas nas cordas do baixo rosa e uma sensualidade exalante, Britta parece ter saído de uma letra de Lou Reed. Uma musa do submundo que enfeitiça pelo olhar, pela voz e pela imaginação.
Sem dúvida alguma, a banda ganhou muito. As canções em que ela faz
backing vocal, "4000 Days", "Tigger Lily" e "Superfreak Memories", ficaram mais melódicas – se é que é possível – e sua participação no no processo de composição do disco novo foi confirmado por ela mesma.

Clássico

Ao vivo também se percebe que o clássico do Luna é a cover para "Bonnie and Clyde". No disco, esta canção é, de longe, uma das melhores já feitas na história do rock. Sem exagero. E, ao vivo, Britta substitui muito bem Laetitia Sadier, do Stereolab, no dueto. O que não é muito fácil. Até Dean se empolgou e deu uns pulinhos desengonçados enquanto o público à frente do palco entrava numa histeria intimista, contida.
A grande surpresa do show foi a ausência de "4th of July", da antiga banda de Wareham, o Galaxie 500. Gravada no recente "Luna Live", esta música vinha sendo tocada nos últimos shows nos Estados Unidos e, nas entrevistas antes de embarcar para o Brasil, Dean prometeu aos fãs que ela estaria no set list.
Erro perdoado. Quem abre o show sussurrando um relacionamento com uma garota que nunca pede, sempre grita, mas que ele corre para ela assim mesmo, pode se dar ao luxo de mudar um repertório tão belo e invejável por dois motivos.
O primeiro, é que poucas bandas conseguem compor tantas músicas de impacto emotivo no público. O segundo, é a coragem e competência musical de manter ao vivo o estilo "música para ouvir" que recheia a discografia do Luna. Salve Dean Wareham e obrigado aos produtores da turnê brasileira!

Entrevista

Andhye IoreNa seção "O Que Dean está lendo e ouvindo" do site do Luna, há várias referências a cinema. Assim como nas canções do Luna. Por que a fascinação com cinema em sua vida?
Dean Wareham
- O cinema está à nossa volta, impregnando nossa vida e permanecendo em nossa consciência. Eu sei que não sou o único interessado em cinema.
Você tem idéia de quanto o Galaxie 500 é importante no mundo do rock?

Tenho certeza que influenciamos várias pessoas a montarem bandas, o que pode ser algo bom ou ruim. Nós não precisamos reinventar a guitar music, mas tivemos sorte em descobrir nossa própria sonoridade de maneira especial.
Perguntei isso porque no Brasil, o G500 tem o mesmo status (até mais) que o Luna...

É legal saber isto.
Bandas como Stereolab, Luna, Yo La Tengo e Belle & Sebastian tem músicas no estilo bossa nova. Você conhece algo sobre este gênero musical brasileiro?

Me parece que está voltando a ser popular novamente nos Estados Unidos. Mas, provavelmente, é mais no Japão. Talvez, muitas bandas estão tocando bossa nova sem ter o que fazer. A minha bateria eletrônica tem uma opção de bossa nova que usamos em "4000 Days". De qualquer maneira, não sou um especialista, mas quem não gosta de João Gilberto e Antônio Carlos Jobim? Sou fã do álbum que o Sinatra fez com o Jobim. (N. R.: "Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim", disco com dez canções lançado em 1967, pela Reprise.)
Você fica chateado quando as pessoas comparam o Luna ao Velvet Underground ou isto te deixa orgulhoso?

Bom, não acho que isto seja correto, estou um pouco cheio disto. Mas, ao mesmo tempo, o Velvet Underground é uma das minhas bandas favoritas, é claro. Prefiro eles aos Beatles.
O fato de vocês terem tocado com o VU em 1993 foi como um sonho pra você?

Bem, naturalmente, você fica nervoso estando próximo às pessoas que você tem grande admiração. Mas, eles foram legais conosco.
A turnê brasileira terá nove shows... geralmente, as bandas internacionais não fazem tantos shows assim por aqui. Quais são as suas expectativas?

Nós vamos tocar as canções que estamos tocando em nossa turnê. Não tenho idéia do que vou encontrar aí.
No álbum mais recente, "Luna Live", vocês gravaram "4th of July" do G500. Os fãs brasileiros terão a sorte de ouvir alguma música do G500 na turnê brasileira?

Provavelmente, tocaremos esta música. Talvez, aprenderemos outra. Mas, geralmente, nos limitamos ao catálogo do Luna.
No Brasil, as gravadoras não contratam bandas que cantam em inglês. Qual a sua opinião sobre isso, uma vez que várias bandas de outros países fazem sucesso cantando em inglês e não em sua língua original?

Algumas bandas européias estão cantando em inglês. Mas, acho que é melhor cantar em sua própria língua... e, o português soa bonito para mim.
O Luna vem tendo problemas com gravadoras. Por que isto acontece uma vez que vocês gravam bons discos,tem um bom conceito na mídia e muitos fãs em todo o mundo?

Acho que é parte do mundo da música, que está mudando rapidamente nestes dias. Se você grava discos, terá problemas contratuais da mesma maneira.
Luna tem um site com material sobre a banda. O quanto a internet é importante para vocês?

Nós não fazemos muita coisa com a internet, mas tentamos fornecer um pouco de informação sobre o que estamos fazendo. Em breve, colocaremos alguns vídeos também.
Vocês já trabalharam com pessoas conceituadas e tem um círculo de amigos legais no mundo da música. Você acha que a sonoridade do Luna atrai coisas positivas?

O nosso relações públicas anterior, quando estávamos na Elektra, dizia que a música do Luna tem o poder de curar, mas não resolvemos seus problemas. Sei que os melhores momentos da minha vida foram ouvindo música. Felizmente, temos este efeito para as pessoas que gostam de nós.
Desde o G500, você grava covers. Como você escolhe as músicas que ganharão uma versão?

Na maior parte, escolhemos artistas que respeitamos. Com exceção do Guns’n’Roses. Não há um sistema exato para isso.
No álbum "Days of Our Nights" vocês gravaram uma cover "não séria" – "Sweet Child O’Mine". Por que você escolheu esta canção?

Gostamos desta música e ela foi gravada originalmente como lado B de um single. Ouvi boatos que o Guns’n’Roses não a escreveu, que eles compraram a música de uma pessoa.
Vocês estão no estúdio gravando o disco novo e você tem um pequeno estúdio na sua casa. Como você trabalha com a tecnologia?

Não sou um perito com as novas tecnologias e não sei como fazer música no meu computador. Mas, trabalhamos com pessoas que sabem essas coisas. Geralmente, fazemos discos da maneira antiga: sentando e gravando em fita analógica de 2 polegadas.
No novo disco será lançado no início de 2002. Você pode adiantar alguma coisa para nós?

Não acho que terá alguma cover neste disco. Embora, talvez no Brasil, solicitaremos a inclusão de bônus no cd. Não mudamos nosso som drasticamente, mas acho que teremos um disco melhor desta vez.

Comentário do show e entrevista em: Entrevista em: http://www.odarainternet.com.br/supers/musica/luna-entre.htm

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"A million, a billion, a trillion stars..."


I will admit, right off, that I teared up during the opening of Tell Me Do You Miss Me, the documentary film of Luna's farewell tour over the end of 2004 and early part of 2005. In the sequence in question, the band has just finished playing "Fuzzy Wuzzy" to finish the main set of their last-ever show on February 28, 2005 at New York City's Bowery Ballroom (at least according to the setlist) and are bidding farewell to the audience and to themselves.
Tell Me Do You Miss Me is full of these wistful, bittersweet moments - watching the band going about the shows knowing full well that the end was nigh is a strange perspective. The interviews with each of the band members are also quite revealing, particularly when it addresses the dynamic between Dean Wareham and Sean Eden, which is logical since they're the longest-serving remaining band members. It's not hostile or
Some Kind Of Monster dyfunctional, but is interesting to watch. I haven't listened to the commentary track with all the band members yet, but I can't wait to hear what, if anything, Wareham and Eden have to say about the scenes where they talk about one another. I am actually holding off on watching it a second time through with the commentary because, well, this DVD is probably the last new Luna release of any kind there'll ever be and I'm loathe to finish it for good. Stupid? Yes. It's also worth mentioning that the film itself is beautifully shot and assembled, perfectly balancing the live, backstage and interview footage.
But mainly, watching this film really brought home just how much I loved this band. Certainly enough to get me, who is loathe to hoof it to a venue more than 20 minutes away, to
fly to Chicago not one week after seeing their farewell Toronto show to say goodbye one more time. Though I arrived a little late to the party (I only discovered them after taking a complete flyer on Bewitched in Summer 1999, note unheard) they're easily one of my top two or three favourite bands ever. Cryptic, playful, laid back and musically perfect, there will probably never be another band that will be for me what Luna was. Read over some of the rememberances in the farewell tour fan blog and you'll see I'm not alone.
Obviously, the DVD is a must-have for any Luna fan, if only to see
this photo in the booklet and to see me get a liner note credit. There are some murmurs that the soundtrack to the film, which was comprised of instrumental pieces contributed by all members of the band, may be released at some point. Now's a good time to repoint you to the interviews Head Full of Wishes, who has been on a tear posting old Luna audio and video, did with all the principals of the film - Britta, Lee, Sean and Dean as well as director Matthew Buzzell.
Rhino, who released the DVD as well as the
Best Of Luna and Lunafied comps, has got the trailer of the film online as well as a complete performance of "Bewitched" that doesn't appear in the film. There's also some live downloads available from Luna's own website.

Trailer:
Tell Me Do You Miss Me
Video:
Luna - "Bewitched" (MOV)
MP3:
Luna - "Friendly Advice" (live)
MP3:
Luna - "The Slow Song" (live in Toronto)

And where are they now? Dean and Britta carry on as
Dean & Britta and will release their second album early next year. Sean is working on solo material and also occasionally plays in Elk City - you can hear his distinctive guitar touches in the MP3 below. And according to the film, Lee is riding a bike around Los Angeles while also providing music for the television show South Of Nowhere.

MP3:
Britta Phillips & Dean Wareham - "Ginger Snaps"
MP3:
Elk City - "Silver Lawyers"

ArtVoice talks to Yo La Tengo's Ira Kaplan about the forthcoming I Am Not Afraid Of You And I Will Beat Your Ass, out September 12. Via LHB. Losing Today talks to Asobi Seksu's Yuki about sophomore album Citrus. And to finish off with the New York theme, here are my New York City photos as well as sets from The Met and MoMA.
Finally, completely un-NYC-related,
The Toronto Sun and London Free Press talk to Wilco's Jeff Tweedy while Halifax's The Coast chat with John Stirratt. Massey Hall tonight! My extra ticket was snatched up quickly, thankfully.

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DISCOGRAFIA

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Não deixe de ver, para a DISCOGRAFIA e mais um monte de coisas boas:
http://www.ugo.com/channels/music/features/bandsondemand/artist.aspx?artist=luna&cat=Indie&full=Luna


E, se quiser comprar:


Melhores ofertas para 'Luna' no Mercado Livre
Melhores ofertas para 'Luna' no Submarino
Melhores ofertas para 'Luna' no Buscapé

Outras matérias sobre a Luna:
Luna toca pela primeira vez no Brasil
Reviews de CDs - The Days Of Our Nights - Luna
Mais matérias sobre Luna

quinta-feira, 26 de julho de 2007

COMO FAZER UMA CANÇÃO

o que aprendi

Elvis Costello


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O que aprendi? Bem, pode-se responder isso em vários níveis, não é? Pode-se responder num nível filosófico, ou a gente pode dizer: “Conheço o restaurante tal”, ou “Use sempre o travesseiro de espuma”.
Um dia, estive num quarto com o Chuck Berry. Disse a mim mesmo: Não quero conhecer você. Só quero olhar você. Ele era de meter medo.
Todos nós não passamos de animais.
É só o que nós somos e tudo o mais não passa de uma rebuscada justificativa de nossos instintos. É daí que vem a música. E a poesia romântica. E os romances ruins. Às vezes, quando termino de ler um romance ruim, digo: Você escreveu setecentas páginas só pra dizer isso? Não poderia ter apenas dito ‘Quero trepar!’?
É legal uma fruta no meio do dia.
A felicidade não é um desses bilhetinhos da sorte que vêm dentro de um biscoito. É algo mais profundo, mais vasto, mais divertido e mais arrebatador.
Não sou lá grande coisa pra transmitir alegria.
Vocês têm de conhecer o Sting.
É um cara superbacana. Sempre foi um cara legal, muito bonito, tem uma voz boa. Não é uma voz que me agrade em especial. Ele compôs uma ou duas canções boas de verdade, e foi tremendamente feliz em vários aspectos. É a idéia que certas pessoas têm de um sujeito sofisticado. Toca em festas de empresas; talvez ninguém o convide para festas melhores. Mas no mundo da música sempre tem alguém talhado para representar esse papel, e acho que é fácil para ele segurar a barra de ser uma espécie de saco de pancada. Não acho que seja um músico insincero. Só que, na música, não parece gostar das mesmas coisas que eu.
Canções são mais fortes do que livros.
Elvis provavelmente foi um pouco mais curioso do que os outros moleques, e por isso ele é o que é.
Nas canções de John Lennon, as pessoas tendem a destacar os versos que soam como epitáfios ou cartões de felicitação.
É muito esquisito passar de carro no aeroporto de Liverpool e ver as palavras: “Acima de nós, só o céu”. O céu está cheio de aviões! Mas, no fim, todo mundo acaba virando uma estamparia de toalha de mesa produzida em massa.
Vi um monte de lugares exóticos, no meu trabalho e em todas as minhas viagens. Mas o lugar que ainda quero ver é o que está nos olhos de alguém. Sabe como é: viaje menos, veja mais.
Não gosto desta idéia, cirurgia ocular. Essa eu não vou encarar. É que nem aumentar o pênis ou coisa do tipo.
Viver por um tempo muito longo é uma coisa apavorante.

Mais cedo ou mais tarde vamos precisar de mochilas a jato para circular. E de capacetes espaciais, com bombinhas de Aerolin embutidas, para conseguir respirar. Sabe o que é o Aerolin? É aquele negócio que os asmáticos tomam. Hoje em dia, um monte de crianças têm asma. Em matéria de emporcalhar tudo, a gente faz mesmo um serviço de primeira.
Leia revistas à margem da industria da música.
É aí que está a maior parte das músicas interessantes.
Antigamente o pessoal levava as coisas numa boa, não é mesmo? Eles tinham os blues, naquele tempo. Entendiam a idéia dos blues.
Eu usava o tempo todo aquelas lentes azuis. A gente fica mesmo deprimido se usa lentes azuis. Quando as pessoas dizem “você está vendo o mundo através de lentes cor-de-rosa”, bem, eu não tenho idéia do efeito das lentes cor-de-rosa, mas conheço o efeito das lentes azuis. Elas deixam a gente triste.

Até 1971, eu não tinha nenhum disco LP do Bob Dylan. Para mim, ele era um grande artista de compactos. A gente ouvia Dylan no rádio. Que coisa chocante viver num mundo onde havia Manfred Mann, os Supremes, Engelbert Humperdink e lá vem “Like a Rolling Stone”. Era um mundo ótimo, um tempo empolgante.
A suposição de que uma coisa não é para nós é uma suposição que, cedo ou tarde, pode ser desfeita.
É muito importante conceder-se o direito de mudar de idéia.
Porque, se a gente consumir toda a nossa energia em pôr a porta abaixo, o que é que vai fazer quando entrar lá?
Cantar com Emmylou Harris: “Se o paraíso existe, parece com isso?”
As pessoas não sabem que a música pode afetar o nosso sentido do olfato, mas pode.
Todas as canções são motivadas por vingança ou culpa.
Eu falei isso? Eu devia estar entupido de Pernod.
Para compor canções, há uns cinco assuntos: Eu deixei você; Você me deixou; Eu quero você; Você não me quer; Acredito em alguma coisa. Cinco temas e doze notas. Mesmo assim, nós músicos até que nos saímos muito bem.
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[texto em: Piauí. Ano 1, julho de 2007, n. 10, p. 61]
[cf. em: www.revistapiaui.com.br]

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