quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Festival Mundo é palco para
lançamentos de discos


Desde a primeira edição, música sempre foi o foco principal do Festival Mundo. Não à-toa, a sexta edição do festival foi a ocasião escolhida para que quatro bandas lançassem novos discos. São as paraibanas Elmo e Madalena Moog, além da pernambucana Anjo Gabriel e dos pauistanos do Gigante Animal. Os lançamentos serão comemorados com os shows e os discos estarão à venda no stand Fora do Eixo, em frente à área dos shows.


Anjo Gabriel é uma banda pernambucana de música instrumental psicodélica. Mas não pense em calmarias, a guitarra e a bateria nervosas da banda se complementam com os sons do baixo, teclado e theremin. O resultado é uma música que não poderia ser ouvida de outra forma, senão num bom e velho vinil. Por isso mesmo, a banda estará lançando no dia 14 de novembro, no palco do Festival Mundo, não um CD ou EP, mas um vinil.

A psicodelia dos pernambucanos da Anjo Gabriel

Há um ano trabalhando no projeto de um CD, a Elmo finalmente irá lançar seu disco com 14 composições próprias. Fazendo um hardcore competente e já conhecido pelo público local, a banda teve o disco gravado no Estúdio Mutuca, no Varadouro, e mixado no Sergipe. Nele, constam músicas como “Prisão”, “Diferentes Defeitos” e “O Dono da Razão” – já conhecidas pelo público que freqüenta os shows da banda. O disco leva o mesmo nome da banda e a capa foi feita pelo designer Rodrigo Bonfim. O lançamento acontecerá também no dia 14, será o terceiro show da noite – logo após o do Anjo Gabriel.

O hardcore dos paraibanos da Elmo

Já a Madalena Moog, velha conhecida dos palcos indies locais, estará lançando seu novo CD “Samba Pro Seu Dia” em 15 de novembro. Gravado entre junho e agosto de 2010, o disco tem várias participações especiais de músicos locais já conhecidos e consagrados no cenário local. Pablo Ramirez e Arthur Pessoa, ambos da Cabruêra, Débora Malacar (Sonora Sambagroove), Érica Maria e Xisto Medeiros fazem parte deste, que é o segundo CD da banda. O disco tem 12 músicas autorais que passeiam por vertentes do samba e também do indie-pop.


O CD bem brasileiro dos paraibanos da Madalena Moog

A Gigante Animal, depois de quase dois anos, volta à terras paraibanas. Por isso a banda resolveu chegar com algumas novidades, duas delas lançadas especialmente para esta viagem. Entre os materiais inéditos no nordeste da banda, estão o quarto EP “Obrigado Ténn”, poster em formato A3 e o lançamento da música "Sempre com Razão", gravada e disponibilizada no myspace da banda como uma prévia da tour, além de camisetas confeccionadas com novas estampas, uma delas em primeira mão no Nordeste.

Os paulistas super agitados da Gigante Animal

O Festival Mundo acontecerá de 5 de novembro a 5 de dezembro nas dependências da Usina Cultural Energisa. Dentro da programação, exposição de Artes Visuais, palestras, debates, oficinas, workkshops e ainda três dias de shows (13, 14 e 15) com bandas argentinas e brasileiras que figuram na cena musical independente.
O evento é filiado à ABRAFIN (Associação Brasileira de Festivais Independentes), está integrado ao Circuito Fora do Eixo e será realizado na Usina Cultural Energisa, com apoio do SEBRAE, FUNJOPE, SEDES, Handfull Informática, GrafSet e ABD-PB e Energisa. O site oficial, patrocinado e produzido pela agência SODA Virtual, é www.festivalmundo.com.br.

SERVIÇO:

Lançamento de discos no Festival Mundo
Anjo Gabriel (PE) e Elmon (PB) dia 14 de novembro
Madalena Moog (PB) e Gigante Animal dia 15 de novembro
Usina Cultural Energisa. Rua Juarez Távora, 243 (Torre).


Assessoria de Imprensa Festival Mundo
Carolina Morena
morena.carolina@gmail.com | 83 8804 0455
Sarah Falcão
sarahfalcao@gmail.com | 83 8815 0055

Assessoria de Imprensa Coletivo Mundo
Renata Escarião
renataescariao@gmail.com | 83 8850 5852


domingo, 7 de novembro de 2010

MADALENA MOOG - SAMBA PRO SEU DIA



Madalena Moog - Samba pro seu dia, 2010. Arte da capa: Diego Rezende

“A arte não pode ter preço / Justamente por isso é coisa sem valor...” A frase, ambígua, é de “O movimento romântico”, música do/no novo álbum da banda paraibana Madalena Moog, “Samba pro seu dia”. Trata-se do trabalho mais recente e mais trabalhado da banda. Depois de várias sessões de gravação – de junho a agosto de 2010 –, de várias sessões de mixagem e masterização (de setembro o outubro), todas realizadas no estúdio Peixe-Boi, parece que, finalmente, vem aí mais uma faceta dessa banda que, como Patativa Moog (vocal, guitarra) diz, não “sabe como se classificar”. E nem precisa. “Samba pro seu dia” será o segundo álbum da banda, e como o próprio nome denuncia, traz um conteúdo bem mais centrado na música brasileira, misturando rock com samba e com carnaval – palavra reincidente –, uma festa. Na letra da música que dá nome ao álbum, aliás, isso já fica bem explícito: “Menina, eu vou comprar um cavaco / Vou botar samba no meu rock / Olha que eu vou fazer choro do meu samba...”, e por aí vai. Há que se notar, ainda, que as músicas, embora mantenham a velha fórmula – de referenciar as letras com citações literárias, a exemplo da já citada “O movimento romântico”, que é título de uma obra do suíço Alain de Botton –, estão contextualizadas na cidade de João Pessoa, nomeando suas ladeiras, suas ruas e bairros. Na descrição da banda, no site do Festival Mundo, por exemplo, pode-se ler:

Madalena Moog é uma aquarela de João Pessoa, e do Brasil. Casas coloridas, ladeiras históricas e ruas da cidade antiga são retratadas nas músicas que convidam o povo para a festa, para a celebração. Guitarras, metais e sintetizadores, principalmente, marcam os sambas, as bossas e as marchinhas que, temperados pelo bom e velho rock and roll, fundem-se numa musicalidade que procura por novidades, sempre, de modo inquieto e inquietante, provocativo.

O repertório de “Samba pro seu dia” é uma seleção de músicas que a banda já vinha executando nas apresentações ao vivo, e experimentando. Ao total, são nove inéditas e mais três, já gravadas em trabalhos anteriores. Assim, “Hey, amigo”, do álbum “Universal Park” (2009), ganhou novas guitarras, tratamento de voz e uma completa remixagem e remasterização. As outras duas são do EP “Stronic up!”, de 2006: a cativante “Stronic up!” vem acompanhada com a entusiasmada apresentação do americano Pete Cogle, tal como ele a fez, espontaneamente, em seu podcast (Pete Cogle's Podcast Factory); “A rua da vida feliz”, por fim, foi incluída por estar sempre no repertório da banda, também remixada e remasterizada. O CD oficial, que deverá lançado no primeiro semestre do ano que entra, trará faixas extras, remixadas por Chico Correa, DJ Guirraiz e DJ Fabiano Formiga, adequadas para as pistas.

Participações especialíssimas

Na gravação de “Ela só gosta é de carnaval”, “O homem do doce” e “Quarta-feira”, Pablo Ramirez (Cabruêra) foi o homem do pandeiro e do tamborim, emprestando seu talento e alegria à banda. “Pablo não tinha tamborim”, diz Patativa, “então eu comprei um para que a gente usasse na gravação, e depois dei o bicho de presente a ele, em agradecimento”. Foi o “pagamento”. “Já o Arthur Pessoa (Cabruêra) não ganhou foi nada, só a nossa gratidão sincera, amizade verdadeira e simpatia simpática”, diz ainda, rindo.

Arthur Pessoa (Cabruêra), gravando "O homem do doce"

Pablo Ramirez (Cabruêra), gravando todos os pandeiros e tamborins

E não foram as únicas participações. Xisto Medeiros, por exemplo, estava lá pelo estúdio quando a banda gravava as vozes festivas de “Ladeira da Borborema”, na maior animação, e também entrou na folia. E teve Erick de Almeida (Baluarte), que gravou um trecho enorme em “O homem do doce”; trecho que, infelizmente, foi suprimido, quando foram feitos ajustes na mixagem e redução do tamanho da música que era enorme. Também Fabiano Formiga, Renata Maysa e Marcelo Macedo fizeram participações, falando, gritando, etc., tudo muito assim, espontâneo e alegre. Quem ouvir o CD inteiro vai notar essa alegria toda, e é bem capaz de ser contagiado. Todos os backing vocals foram feitos por Érica Maria e Débora Malacar (Sonora), com exceção de “Stronic up!” e “A rua da vida feliz”, que tem back de Silmara Ferreira, primeira vocalista da banda.
Enfim, “Samba pro seu dia” promete ser mais uma grata surpresa para a música produzida na cidade de João Pessoa, e na Paraíba. É esperar para ver. A banda promete lançar o CD durante o show que fará na VI edição do Festival Mundo, dia 15 de Novembro. O CD é produzido por Patativa Moog, em parceria com os selos alternativos Mundo Disco e Sanhuá Discos, dos Coletivos Mundo e Sanhauá.
Madalena Moog é: Patativa (voz, guitarra e sintetizadores), Edy Gonzaga (guitarras, baixos), Rieg Wasa (sintetizadores), Valter Pedrosa (guitarras), João Henrique (trompete), Mib (trombone) e Emerson Pimenta (Bateria).


João Henrique (Trompete) e Mib (Trombone)

Patativa Moog

Valter Pedrosa

Érica Maria e Débora Malacar (Sonora), backing vocals

Edy Gonzaga

Emerson Pimenta

SERVIÇO:

Álbum: Samba pro seu dia, 2010 (Sanhauá Discos / Mundo Disco)
Lançamento: 15 de Novembro, 16:00 | Festival Mundo
Usina Cultural Energisa. Rua Juarez Távora, 243 (Torre).

sábado, 6 de novembro de 2010

Bukowski também te contempla


Bukowski te vê
Do imã da geladeira
Quando você se abaixa
& pega o sal & a pimenta.
Epifania é tua calcinha
Desenhar-se em teus quadris
Teu rego lhe assalta os olhos
Tua alma, o teu nome
Bukowski te vê
& Bukowski te come.

Um dia você suava
Limpando o piso melado
Depois que os ovos caíram
Acaralhando com tudo
& como ele praguejava:
“Que posição tão cruel!...”
& a culpa era de Deus.
Skip James & Lenoir
Afortunados que eram
Descreviam o teu decote
Os teus quadris que dançavam
Comandando o esfregão
“Maldição! Maldição! Ah, maldição!”
Berrava ele, iracundo
Mandando Skip pro inferno
& que o Diabo os levasse
& levasse todo mundo
Que Lenoir era um sujo
& foi justo morrer na merda
Pior que aquela ali, dele
Que também morreu na merda
Mas que, antes,
Comeu muitas bocetas
& amassou muitas tetas
Até que... Caralho! Caralho!
“Um imã de geladeira?!”
& foi um Renascimento
A Maravilha maldita
Que aportou no Brasil
Quando ele foi traduzido
Na puta língua de puta
De terceiro-mundo
De terceira-merda
De terceira-bunda
& se tivesse a parte inferior
Que o filho da puta cortou
(Que imã enorme seria!)
Mostraria o pau pra eles
Pra deixarem de ser tão putos.

& James & Lenoir
Desde esse dia, então
Não gastam uma palavra
Com o linguarudo do Cão
Preferem bater uns papos
Com o outro lá de cima:
Dylan & seus dilemas
(Que aprendeu muito cedo
A respeitá-los como é devido
Antes da condição miserável
Não tão pior por encontrarem
Luiz Gonzaga & a sanfona
Que substituiu Warhol
– o mais estúpido dos imãs –
Dando razão a Lou Reed
... Que pederastia tem limites).

O velho Bukowski, porém
Ignora que lhe ignorem
Afinal, ali: Marylin
Mostrando as pernas & a bunda
Segurando o vestido branco
Contra a boca do bueiro
“Quero ser o vento, garota
Que lambe as suas cochas.”
Mas Marylin, de soslaio,
Chama-o de velho safado
Dizendo que se enxergue
Que vá à merda ou se cale.
“Como se houvesse opção...”
Ele argumenta & lamenta
Não adianta, agora
Ela ignora, vira de lado
& depois perde a fala
É quando vê James Dean
Que, de olhos tristes
Só sabe ver o abismo
Sempre adiante de si...
& quando Bukowski insiste
“Vai pro inferno, caralho!”
Marylin diz, chateada.
“Eu já estou nele, garota...”
Ele responde &, pasmado,
Vê você nua, Renata
Quando acorda, chapada
& faz um café, & bebe água
Às 13:30 d’uma segunda
Daí, do inferno, Renata
Às 13:30 d’uma segunda
Com os olhos paralisados
Bukowski come a tua bunda.


(P.)

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Solfejo de Eros – a poesia noturna de Anna Apolinário


“‘A poesia abre os olhos, cala a boca e estremece a alma.’ Para Patativa, com afeto. Anna, 29-10-2010.” É como está dedicado, a mim, o meu exemplar de Solfejo de Eros, da poeta Anna Amélia Apolinário.


Não lembro mais onde foi que conheci a Anna, mas já tem muito tempo. Fico em dúvida se foi no Centro Histórico ou numa noite dessas que a gente esteve conversando e bebendo lá pelo Busto de Tamandaré, na praia de Tambaú. O que não tenho dúvida é que os poemas dela, como ela, respiram os ares noturnos, o clima quente e embriagante de Eros – deus grego do amor. Exemplo disso é o trecho de um poema de Sylvia Plath, que ela cita na página 07, depois da dedicatória que faz a Esaú e Sophia, marido e filha:


Dentro de mim mora um grito.

De noite ele sai com suas garras, à caça

De algo para amar.


Temas noturnos, poesia noturno-erotizada. A palavra “noite” é recorrente – usada doze vezes em 39 poemas distintos – e, personificada, aparece quase sempre com “N” maiúsculo, em reverência da autora. Fora ela, direta, há as derivadas, consequentes: anoitecer, madrugada, noturno, notívagos, estrelas, lua, crepúsculo, vespertina, sonhar, aurora, etc. “Aurora”, aliás, é o titulo que ela dá ao poema em que lemos:


Olhos abrasadores

Incinerando um céu de safiras

O mar veste o fulgor da lua

Rosa iridescente na areia adormecida


Vênus avança feito Ondina

Arrastando estrelas em seu vestido vaporoso

Madrepérola em carruagem de neblina

Dança de corpos enamorados no declive

Uma pequena mácula de vinho

Maná para os famintos notívagos.


A noite é anfitriã da poesia, dos poetas insones e embriagados. E a embriaguez pode ser com vinho, com vodka, ou com a poesia mesmo, ou com tudo isso junto. Lembro-me que, comum das vezes em que estive com a Anna e com os nossos amigos em comum, a vodka e o vinho sempre estavam presentes, e as poesias. A poesia de Anna tem a cara do sono entorpecido de Dionísio, e descrevem cenas oníricas como as pinturas de Dalí, que ela cita no poema “Palavra de Pandora”. Assim, em “Rosa na redoma”: “A Noite queima em minhas veias / Enquanto encho essa taça...”, e em “Ascensão”, a primeira frase acusa que “A Noite encheu todo meu cálice...” E ele permanece cheio pelos demais poemas, como em “Sylvia queima”: “Vênus da alcova, Sílfide messalina / Viciada em adesivos de nicotina / Insone & neurastênica, dopada e deprimida / Permita-me lamber sua iconoclastia...” Surrealismo e embriaguez. Anna é uma menina beat erotizada:


Às cinco horas de uma tarde nua e aprazível,

Nas veredas do ponto de cem réis,

Cá estou a bebericar de meu café cortês.

A garçonete me aparece em andrajos de sereia,

Sibila-me o verso ó peixe onírico!

Nobre gota de céu marejou meu olho infante:


É Mozart no passeio público,

Interrompe seu tropel místico,

E vem ter comigo.

Ai de mim que não sou poeta!

Acendeu minha cigarrilha

E me trouxe um Blues muito lascivo.


Trata-se do poema “Estudo para um Delírio (Mozarteando)”. Somente quando a série de poemas encabeçados por “HEDONÊ” – assim mesmo em maiúsculo, que é para marcar a mudança no andamento, como um refrão numa balada – aparecem, é que o tom poético se torna menos cálido, e mais cândido, como nos maternais “Soneto para Sophia”, “O verso mais bonito” e “Flamenca”, todos dedicados ou referentes à Sophia, menina linda, filha da Anna e do meu querido amigo Esaú. Mas mesmo nesta nova série, Eros está presente, sendo ele o responsável pela semente que traz à luz, inclusive, a Sophia (Sabedoria, em grego): “Dá-me o delírio de unir-me a ti / Um Deus! / Dentro de mim” (“Soneto do amor metalírico”), ou no “Carnaval anarcoerótico”:


Me deixa ser o teu pecado

A flor de teu desejo cálido

Num jardim de prazeres plácidos


[...]


Me traz um samba com versos embriagados

Não repara no meu querer desafinado

Pierrot libertinando lirismo

Para os lábios da Colombina, um colapso.


A fala sóbria e formal, “deixa-me”, “traz-me”, que Anna entende muito bem, é substituída pela informal e ébria, apelante: “me deixa”, “me traz”. Tudo fica assim, perto da realidade mesmo da vida noturna, e da intimidade que a penumbra e o álcool trazem. É um delírio; um belo delírio.

A poeta que, em “Estudo para um Delírio (Mozarteando)”, diz: “Ai de mim que não sou poeta!”, termina o livro com o poeminha de quatro frase, cujas três primeiras dizem: “Escrever é insensatez / Poesia não cabe em versos / Páginas de amor são tolices...” E elas me lembraram Fernando Pessoa, no poema “Todas as cartas de amor são ridículas”, em que, lá pelo meio, podemos ler: “Mas, afinal, / Só as criaturas que nunca escreveram / Cartas de amor / É que são / Ridículas.” O mesmo vale para quem nunca escreveu um poema: ridículos; e vale ainda para quem não lê poesias, mais ridículo ainda. E preciso dizer, por fim, que Anna mente, e mente muito mal. Basta ver/ler Solfejo de Eros para não ter nenhuma dúvida de que ela é, sim, poeta; e das mais excelentes!


Autografando


Livro: Solfejo de Eros (1ª edição, julho de 2010)
Autora: Anna Amélia Apolinário
Editora: Câmara Brasileira de Jovens Escritores – Rio de Janeiro
Valor: R$ 15,00
Contatos:
anna_apolinario@hotmail.com
www.rosanaredoma.blogspot.com/

__________

O livro pode ser adquirido com a autora ou no Sebo Cultural

Av. Tabajaras, 848 – centro de João Pessoa-PB

Fone: (83) 3241.1423 – 3222.4438

www.osebocultural.com | sebocultural@osebocultural.com.br



quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Preconceito, racismo, xenofobia... e a lei.

Não é porque você tem direito de falar o que quiser que você... fala. Outra sulista acéfala, eleitora de José Serra que se revoltou com o resultado das eleições e saiu vomitando merda, foi essa menina aí, @Mikafrauzola

Uma ação da OAB e do Ministério Público de Pernambuco já está sendo encaminhada ao Ministério Público de São Paulo. Quiçá todos os Estados do Brasil, do Nordeste, fizessem o mesmo. Isso, claro, não resolveria o problema de imbecilidade, ignorância, estupidez e covardia dessas pessoas pequenas, mal amadas, mas, certamente, inibiria a sua prática e incitação em redes sociais como Twitter, Orkut, Facebook, etc.

Massa cheirosa deverá responder por crime de racismo

novembro 3rd, 2010 by mariafro

66tweetsretweet Pela segunda vez autoridades pernambucanas merecem os parabéns de todos os brasileiros decentes por fazer o que as autoridades sulistas parecem ignorar.

A primeira vez foi aqui com a pronta reação do Ministério Público, OAB e governo pernambucano. Agora, depois da vergonhosa onda preconceituosa no twitter (aqui e aqui), a OAB de Pernambuco novamente é ágil dando uma lição de cidadania ao país.

OAB reage a ataque ao Nordeste no twitter

“Universitária de SP que iniciou ofensas deverá responder por crime de racismo

Alessandra Duarte, O Globo, via Dihitt

A seção Pernambuco da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE) entra hoje, na Justiça de São Paulo, com representação criminal contra a onda de ataques aos nordestinos divulgada por meio do Twitter após a eleição de Dilma Rousseff. No domingo à noite, usuários da rede de microblogs começaram a postar mensagens ofensivas ao Nordeste, relacionando o resultado à boa votação de Dilma na região.

A representação da OAB-PE é contra a estudante de Direito Mayara Petruso, de São Paulo, uma das que teriam iniciado os ataques. Segundo o presidente da OAB-PE, Henrique Mariano, Mayara deverá responder por crime de racismo (pena de dois a cinco anos de prisão, mais multa) e incitação pública de prática de crime (cuja pena é detenção de três a seis meses, ou multa), no caso, homicídio. Entre as mensagens postadas pela universitária, há frases como: “Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!”.

— São mensagens absolutamente preconceituosas. Além disso, é inadmissível que uma estudante de Direito tenha atitudes contrárias à função social da sua profissão. Como alguém com esse comportamento vai se tornar um profissional que precisa defender a Justiça e os direitos humanos? — diz Mariano.

Em julho deste ano, a seção pernambucana da Ordem já havia prestado queixa à Polícia Federal contra pelo menos dez usuários do Twitter, por mensagens ofensivas aos nordestinos após as enchentes na região.

— Essas redes sociais são meios de comunicação de alcance nacional, e crimes que ocorram nelas são de ordem federal. São ofensas que atingem a todos os nordestinos, existe um direito difuso aí sendo desrespeitado — completa Mariano, para quem o nível agressivo da campanha pela internet este ano, apesar de não justificar os ataques, pode tê-los estimulado.

No domingo, usuários do Twitter insatisfeitos com a vitória de Dilma começaram a postar frases como “Tinham que separar o Nordeste e os bolsas vadio do Brasil” e “Construindo câmara de gás no Nordeste matando geral”.

Como reação, outros usuários passaram a gerar uma onda de mensagens com “#orgulhodesernordestino”, hashtag que ficou entre os primeiros lugares no ranking mundial de temas mais citados no Twitter.”

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A VERDADE


“A verdade é um céu aberto. Narciso é um boboca. Ícaro levanta vôo.” (André Comte-Sponville, Tratado do desespero e da beatitude).


A verdade é uma garota dançando bêbeda, & deslizando sobre patins

Fazendo curvas sobre as pirâmides de vidro no Ponto de Cem Réis

& caindo sentada no colo de Livardo Alves, a quem chama de meu amor


A verdade é uma garota suada enxugando o rosto com a regata

Deixando o umbigo à mostra, & o seu piercing provocativo

Hipnotizada pela Lua clara que prateia a praça & ilumina a rua


A verdade pôs-se a galope em um vento litoral rumo a Epitácio

& chegou cansada no discurso do pregador de certezas certas

& escondeu-se na valise de latão que o poeta Caixa D’Água tem

& aí guardou-se – qual certidão de nascimento da felicidade

& como o olho que nunca cansa, do velho Barão do Rio Branco

Estatuado na praça que tem seu nome, onde os pássaros

Sem etiquetas & formalidades, cagam-lhe as ventas & os títulos

Fazendo troça nos seus cabelos & no seu terno de 1000 vinténs


A verdade pertence a todos, & não pertence a mais ninguém


A verdade mora em garrafas que, esvaziadas

São vomitadas por homens bêbados & vagabundos

Muito mais certos & piedosos do que o bispo diocesano

Que fala merda & se esconde atrás da saia do Deus cristão

O Deus bondoso que manda Adão para a puta que lhe pariu

& deixa Eva tomar no rabo, para aprender a fechar as pernas

& ama David com amor eterno, esse escroto filho da puta

Que não bastou-se em foder gostoso com a mulher do seu servo, Urias

Mas lhe envia como presente pro Esquecimento, na guerra santa

Que quem pode manda, e obedece é quem tem juízo...

E obedece é quem tem juízo?


A verdade pinta os cabelos como uma menina

& veste jeans, & calça coturnos & enche a cara de maquiagem

Para esconder aquelas olheiras bem merecidas

Quando, acordada, viu o sol surgindo furtivamente

Por trás do “S” que tem uma curva do Sanhauá

Ahhhhhhhhhhhhhh! Que amasso foda não foi aquele!

Às escondidas, adoecida de um louco amor

Crente que o ontem já não existe; & o amanhã não se saberá

& um hoje certo, como a certeza, não volta nunca

& agora é o tudo, & é preciso que seja assim


A verdade é um filme de Almodovar em um roteiro de Pasolini

É um cigarro pela metade, & a paciência chegando ao fim

É um poema de Allen Ginsberg, & é uma torta de gergilim


A verdade é um labirinto, & um desejo dos mais sagrados

É a trincheira do militante, das ilusões & das utopias

É garantia que não garante & sonha futuros, melhores dias


A verdade tomou assento entre platônicos & aristotélicos

& acorrentou-se aos ceticismos absolutistas

Bradou que omnis determinatio est negatio tamen

Negou Narciso, preferiu Ícaro, desesperou-se & foi... feliz


(P.)